Cinema

6 filmes “diferentões” e seus diretores excêntricos


Yorgos Lanthimos

Vencedor do BAFTA e dos Festivais de Cannes e Veneza, Yorgos Lanthimos, para quem não conhece, é famoso por seus filmes que causam um grande desconforto, mas não por explorar cenas explícitas ou chocantes, mas sim pela forma como a trama é desenvolvida. Personagens propositalmente sem emoção e situações do cotidiano mostradas de forma angustiante.

Dente Canino (2009)

Três irmãos são mantidos trancados dentro de casa por seus pais durante toda a vida (da infância até quase a fase adulta). Devido à falta de contato com a sociedade, eles não têm a menor ideia de como é o mundo externo. Para deixar as coisas mais bizarras, seus pais dão significados diferentes para certas palavras ou conceitos, a TV só passa filmes caseiros, as músicas são traduzidas do jeito que querem, entre outras situações muito esquisitas. No meio desta tortura claustrofóbica e psicológica, os filhos começam a questionar o que vivem e a se rebelar contra os pais.

A genialidade de Yorgos está nos detalhes. A revolução dos filhos contra os pais não recorre ao óbvio, como esperaríamos ver em qualquer filme. A sutileza usada pelo diretor torna essa angústia muito singela. Durante boa parte do longa, os filhos brincam, se divertem e vivem suas vidas limitadas pelos pais como se toda aquela bizarrice realmente fosse normal porque, para eles, é.

Disponível no Telecine Play!

Jim Jarmusch

Vencedor da Palma de Ouro, Jim Jarmusch talvez seja o cara mais “normal” dessa lista, mas como é um dos maiores representantes do cinema independente, não poderia ficar de fora, especialmente depois de sua mais recente obra “Os Mortos Não Morrem”.

Os filmes de Jarmusch têm um estilo próprio e sempre são produzidos com orçamento limitado. O diretor também tem o costume de convidar gente excêntrica para participar de seus projetos. O genial Coffee and Cigarettes é a prova disso, onde temos um elenco nada normal, com alguns grandes nomes do meio artístico cult, como Tom Waits, Iggy Pop, Alfred Molina, Jack e Meg White, Bill Murray e Cate Blanchett literalmente conversando sobre café e cigarros por quase duas horas. E tudo em preto e branco, é claro.

Os Mortos Não Morrem (2019)

Para começar, temos um elenco formado por ninguém menos do que Tilda Swinton, Adam Driver e Bill Murray, um verdadeiro trio de esquisitos, em um filme sobre zumbis, mas que foge totalmente do convencional deste gênero desde as primeiras cenas.

Uma série de crimes em uma cidade pequena começa chamar a atenção de dois policiais. Após começarem as investigações, descobrem que seus piores pesadelos se tornaram realidade: os mortos estão voltando como zumbis para viver suas rotinas de quando ainda estavam vivos.

O enredo em si não surpreende, pois entrega o que um filme de zumbi se propõe, mas o que o distingue de outras produções do gênero é a forma como ele voluntariamente anula qualquer possibilidade de suspense, anunciando desde o princípio que os mortos-vivos entrarão na história e que nada dará certo no final.

Os personagens, sempre neutros, somente observam os mortos voltarem à vida sem demonstrarem qualquer emoção ou senso de espetáculo, como se aquele caos fosse somente mais um dia comum em suas vidas monótonas. O filme, por si só, não se leva a sério, a ponto do espectador questionar quem são os verdadeiros zumbis na história: os mortos ou os vivos? E é aí que está a premissa desta obra. 

Disponível no Telecine Play, Google Play e Looke!


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