Educação

82% das notas máximas no Enade são de universidades públicas

São Paulo – A divulgação dos resultados do Inspecção Vernáculo de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2019, nesta terça-feira (20), mostrou que há descompasso na qualidade da ensino do ensino superior público com o privado no país. Das 8.368 instituições avaliadas, somente 511 alcançaram o concepção 5, o mais saliente do Inspecção. Entre as universidades com nota máxima, 82% delas são públicas, ou seja, estaduais, federais e municipais. E somente 18% são privadas. 

A discrepância foi calculada a partir do Noção Enade – indicador que varia de 1 a 5. Por essa graduação aplicada pelo Instituto Vernáculo de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as faixas 1 e 2 indicam resultados ruins, inferior da média na avaliação. Uma vez que é o caso de mais de 40% dos cursos superiores de instituições particulares, que tiveram desempenho dentro desta fita no Enade. Aplicado no ano pretérito, participaram da prova, ao todo, 391.863 estudantes concluintes da graduação. 

Entre as universidades estaduais, a mesma taxa cai para 11,3%. E fica ainda menor nas universidades federais, onde 5,3% obtiveram um resultado ruim. A maior secção destas instituições alcançaram o concepção 4, nota de 44,6% das estaduais e de 46% das federais. Enquanto as universidades privadas, obtiveram, em média, o concepção 3.

Investir no público

Para o professor e diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Martins, os resultados evidenciam não só uma “intervalo” entre o ensino superior público em relação ao privado, mas a valimento do Estado investir no ensino das federais, estaduais e municipais para ampliar o aproximação e manter a qualidade, principalmente, na curso dos professores.

“Isso se dá (a intervalo de qualidade), na minha opinião, por um único grande motivo, que é justamente o tratamento oferecido aos profissionais de ensino superior no ensino público e no ensino privado. Enquanto no ensino privado os professores não têm uma curso – dificilmente encontramos professores que têm uma curso de dedicação exclusiva, muito remunerada –, no público, ainda que tenhamos defeitos, o professor se dedica exclusivamente a sua docência e pesquisa. E constrói dentro da universidade seus vínculos e a sua responsabilidade pela formação do estudante. Essa é a grande diferença que desnuda esses números”, avalia, em entrevista a Glauco Faria no Jornal Brasil Atual

De concórdia com o docente, o ruína entre as notas poderia ainda maior, uma vez que nem todas as instituições estaduais participam do examinação. Na USP, por exemplo, o Enade é facultativo. 

Progresso das cotas

O Inep e o Ministério da Instrução (MEC) também divulgaram nesta terça o resultado do Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD), combinado com dados do Inspecção Vernáculo do Ensino Médio (Enem) para determinar o quanto os estudantes progrediram durante o ensino superior. Por esse parâmetro, novamente há um soberania do sistema público de ensino sobre o privado. 

O IDD indica que as universidades federais foram as que mais contribuíram para a formação dos estudantes da graduação. O que também desmente argumentos contra as políticas de ações afirmativas nas instituições públicas, porquê ressalta Martins. Pioneiras em prometer o aproximação dos estudantes de escolas públicas e da população preta, parda e indígena, as federais foram criticadas em adotar as cotas por supostamente colocar em risco o nível das universidades, que poderiam ter seu desempenho rebaixado. 

Na avaliação do professor da USP, essa reparo não só era preconceituosa, porquê não se concretizou. E as cotas devem ser ampliadas. “Essa diferença que forma o índice comprova, mais uma vez, que a escola pública superior é infinitamente mais muito aparelhada, não só do ponto de vista humano porquê de estrutura, em relação às universidades particulares que, costumeiramente, com algumas exceções, são caça-níqueis. E a população de menor renda tem de remunerar (pelo ensino superior) e aquela que tem mais renda não paga. Com as cotas isso tem minguado, mas ainda temos que melhorar muito”, aponta Martins. 

Universidades públicas em risco

Além dos desafios para a ampliação do aproximação às universidades públicas, estas instituições, apesar do desempenho, passam por um contexto muito desconforme. Em São Paulo, por exemplo, o governador João Doria planejava uma retirada ampla de recursos das três instituições do estado com o Projeto de Lei (PL) 529. A medida não avançou. Mas já no próximo ano, as universidades paulistas devem ter o orçamento afetado se a projeção de queda da arrecadação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) se concretizar.

Em contexto federalista também já há uma projeção de golpe de recursos das verbas discricionárias. O orçamento do próximo ano deve trazer uma redução de quase R$ 1 bilhão para as universidades federais, o que coloca em risco o pagamento de despesas porquê luz, chuva, telefone e funcionários terceirizados dessas instituições. As instituições também são continuamente mira de ataques do próprio governo de Jair Bolsonaro, responsável pela subtracção de repasses à ensino superior pública. 

“Parece que há um prazer em punir o pensamento crítico”, comenta o diretor da FFLCH-USP sobre a postura do governo. “Novamente as universidades federais terão de trespassar à rua para mostrar a valimento que elas têm para a sociedade”, prevê. 

Confira a entrevista

Redação: Clara Assunção. Edição: Glauco Faria

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