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Alguém compraria um carro de Moro ou Deltan, questiona Gilmar  – Notícias

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), criticou nesta terça-feira (23) condutas da Operação Lava Jato e questinou se os colegas da Segunda Turma comprariam um carro do ex-juiz Sergio Moro ou do procurador Deltan Dallagnol. Ele participa do julgamento do pedido de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que alega que Moro agiu de forma parcial para condená-lo em processo sobre o tríplex do Guarujá. 

“Algum dos senhores aqui compraria um carro do Moro? Algum dos senhores hoje seria capaz de comprar um carro do Dallagnol? São pessoas de confiança? Alguém o contrataria como advogado nessas circunstâncias, tendo agido dessa forma?”, questionou o ministro.

A ação julgada pela Segunda Turma foi movida pela defesa do ex-presidente. Os advogados apontam diversas ações de Moro para justificar a tese de suspeição, como o grampo feito no escritório de defesa do ex-presidente e a condução coercitiva para depoimento em 2016 sem que Lula tivesse sido intimado previamente.

Gilmar afirmou que a Lava Jato atuou como um “tribunal de exceção”. “O tribunal de Curitiba é conhecido mundialmente como um tribunal de exceção. Enche-nos de vergonha”, disse. “A desmoralização da Justiça já ocorreu”, afirmou o magistrado.

Mendes criticou o voto do ministro Nunes Marques, feito também nesta terça, e que levou o placar do julgamento da suspeição de Moro para 3×2 contra a tese. Todos os cinco ministros da Segunda Turma já votaram, mas a ministra Cármen Lúcia, que havia se manifestado no início do julgamento, em 2018, afirmou que teria um novo voto para ler. Se ela mudar seu entendimento, o placar será revertido em 3×2 a favor da suspeição de Moro.

O ministro elevou o tom e rebateu teses de Marques. Na bronca ao novo membro do Supremo, Gilmar Mendes afirmou que habeas corpus é sim mecanismo para questionar a suspeição de um juiz. E que as gravações de conversas entre Moro e procuradores da Lava Jato, obtidas por hackers, não são a base de sua convicção sobre a parcialidade de Moro, apenas corroboram a tese. 

“Nada de conversa fiada, coisa de hackers. Estamos falando de coisas que estão nos autos”, afirma.

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