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Análise: Derrota do São Paulo tem ingredientes para animar Flamengo e Fluminense, mas também para iludir

A derrota do São Paulo para o Botafogo (1 a 0) foi acompanhada não apenas por são-paulinos e alvinegros. O confronto interessava também a torcedores de Flamengo e de Fluminense. Estes, porque concorrem diretamente com os paulistas pela última vaga do G4. Já os rubro-negros, porque vão decidir o título em jogo contra eles, na próxima quinta, no Morumbi. E, a julgar pelo que se viu no Nilton Santos, os dois têm motivos para ficar otimistas.

O São Paulo fez aquela que talvez seja sua pior atuação no Brasileiro. Os jogadores pareciam desmotivados, e o time apresentou falhas tanto de criação quanto defensivas. A exceção foi o goleiro Tiago Volpi, que deve ser o maior obstáculo do Flamengo no caminho para o título. Para levantar a taça, o líder do Brasileiro precisa vencer na quinta-feira. Qualquer outro resultado pode dar a conquista para o Internacional, que está dois pontos atrás dos cariocas (69 contra 71).

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Contudo, há poréns que precisam ser considerados. É perigoso achar que o São Paulo da última rodada será o mesmo que perdeu para o Botafogo. Os rubro-negros devem encontrar um adversário mais competitivo do que o desta segunda.

A derrota para o Botafogo impediu o São Paulo de assegurar o quarto lugar no Brasileiro e confirmar presença na fase de grupos da Libertadores. Agora, vai precisar vencer o Flamengo para não correr risco de perder essa vaga para o Fluminense, que enfrentará o Fortaleza, no Maracanã. Os tricolores cariocas somam 61 pontos, dois atrás dos paulistas. Os dois estão empatados em número de vitórias (17), primeiro critério de desempate.

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Como se não bastasse a necessidade do resultado, o time paulista ainda terá a possibilidade de definir os rumos da briga pelo título. Ingredientes capazes de dar aos jogadores a motivação que não se viu no Nilton Santos.

Para completar, a equipe ainda terá Daniel Alves de volta. Sua ausência (por suspensão) contra o Botafogo foi muito sentida pelos demais companheiros.

O jogo

Em se tratando de um duelo entre um time já rebaixado e outro que brigava pelo título até a partida anterior, natural que as expectativas estivessem todas em cima do São Paulo. Mas os paulistas decepcionaram desde o princípio. O estilo de jogo deles ainda lembra muito o praticado com Fernando Diniz, com valorização da posse e construção em toques curtos partindo do goleiro. Mas o que se viu foi uma equipe que não progredia com a bola nos pés e era alvo fácil dos contra-ataques do rival.

Os são-paulinos tiveram muita dificuldade com a marcação alvinegra. O time claramente sentiu falta de Daniel Alves, que dita a dinâmica da equipe. Sem velocidade, não conseguiram infiltrar e abusaram dos passes para o lado sem objetivo. Tchê Tchê ficou sobrecarregado na construção e sofreu com o fato de seus companheiros não conseguirem se desmarcar.

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O Botafogo de Lúcio Flávio enxergou rapidamente que o adversário não tinha problemas só para atacar. Defensivamente, era ainda pior. Com suas linhas muito adiantadas, os paulistas foram presas fáceis para os contra-golpes alvinegros, cujas bolas verticalizadas quase sempre encontravam alguém pelas costas dos marcadores. Aos 25, Ênio parou em Tiago Volpi. Mas, três minutos depois, Reinaldo só conseguiu parar Warley na base do puxão. Acabou expulso.

O jogador a menos proporcionou uma situação impensável até então. O Botafogo se empolgou e passou a empurrar o adversário em sua própria área. O lado esquerdo são-paulino virou terreno fértil para os donos da casa. Só não foram para o intervalo à frente do placar porque Volpi estava numa noite inspirada. Foram seis defesas apenas no primeiro tempo.

Mas com mais um atacante em campo (Matheus Babi entrou no lugar de Kayque), a pressão só aumentou na etapa final. Até que, aos 12, Volpi nada pôde fazer para impedir que o camisa 11 subisse mais alto que os marcadores e abrisse o placar de cabeça.

Atrás no placar, os paulistas até tentaram reagir. Mas foi uma pressão sem qualquer organização. Ainda assim, tiveram a chance de empatar, aos 37, em pênalti inexistente mantido mesmo após checagem do VAR. Mas Diego Loureiro defendeu a cobrança de Luciano, em mais um sinal de como falta foco aos são-paulinos nesta reta final de campeonato.

Para piorar a situação do São Paulo, o time ainda viu Leo Pelé receber cartão amarelo nos minutos finais. Foi o terceiro do lateral-esquerdo, que entrou para recompôr o time após a expulsão de Reinaldo. Na última rodada, o técnico Marcos Vizolli não contará nem com o titular e nem com o reserva da posição. Bom para os rubro-negros e para os tricolores.


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