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Após dois anos preso na Rússia, Robson Oliveira desembarca no Brasil

Depois de 776 dias preso na Rússia, o pesadelo chegou ao fim. Após ter seu indulto concedido pelo governo russo, o brasileiro Robson Oliveira chegou em solo nacional na noite desta quarta. O ex-motorista do jogador Fernando, que atuava no Spartak Moscou na época da prisão, desembarcou no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, para recomeçar a vida ao lado da família.

Oliveira foi recebido pela mãe, Dona Vanda, pelo filho, Douglas Santos e pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. Membro de um motoclube, ele ainda foi recepcionado por um grupo de motoqueiros, seus companheiros de estrada.

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Sem mais nenhuma dívida com a Justiça (sua condenação foi perdoada), ele agora tem uma série de comemorações pela frente. Já nesta noite, irá conhecer o neto, nascido quando ele já estava preso. Um churrasco foi preparado pela família, em Nova Iguaçu. O presidente Jair Bolsonaro ofereceu a Robson um cargo de motorista do deputado federal Hélio Lopes (PSL-RJ)

— A sensação é igual à do nascimento de uma criança. Aquela emoção gostosa. Esperamos que ele esteja bem, com saúde — comentou Dona Vanda, de 74 anos.

O clima no aeroporto era de felicidade e de expectativa em relação ao futuro. Mas isso não significa que o pesadelo russo tenha sido esquecido. No discurso do filho Douglas Santos, a liberdade concedida ao pai não repara os mais de dois anos de prisão.

— Na verdade, não foi feita justiça. Nada vai reparar os dois anos que ele ficou lá. Só ele e nossa família sabemos o que passamos. Gastamos, tivemos custo com advogados em cima de uma promessa que seria boa, de trabalhar em outro país com um jogador — desabafou Douglas Santos. — Isso mexeu com a vida de todo mundo. Ele não viu o nascimento do neto. Muitas coisas ele perdeu. Aniversários, Natal, Dia das mães. E nada vai reparar estes dois anos. Então não houve justiça.

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O objetivo agora é buscar está reparação. Olímpio Soares, advogado de defesa de Oliveira, explicou que a família irá entrar com uma ação na Justiça contra Fernando buscando reparação moral e material. A acusação é de que o jogador omitiu sua responsabilidade.

— Ele sempre soube que o medicamento era proibido na Rússia. Temos o depoimento de uma babá que trabalhou antes do Robson e que confirma que ele já tentava levar o produto para lá. Ele já tentou autorização com os médicos do clube e nunca conseguiu. E decidiu correr o risco mesmo assim expondo o Robson – disse o advogado.

Oliveira chegou a Moscou em 10 março de 2019 com a pretensão de trabalhar para o casal William Pereira de Faria e Sibele Vieira Rivoredo, sogros do volante Fernando, que à época jogava no Spartak Moscou. O remédio que estava na bagagem (duas caixas, com 40 comprimidos no total, de Mytedom — cloridrato de metadona — 10mg) é prescrito no Brasil para pacientes que convivem com dor ou tratamento de desintoxicação de narcóticos.

A substância é proibida na Rússia e foi apreendida pelas autoridades. William alegou ter pedido a medicação por sofrer de dores nas costas. Mas, oito dias depois, Oliveira foi preso depois de prestar depoimento.

Em outubro, o presidente Jair Bolsonaro interferiu pessoalmente no caso de Oliveira. Uma carta foi enviada ao presidente russo, Vladimir Putin, pedindo a soltura do motorista, sob o argumento de que ele entrou nessa situação por total desconhecimento da regra local.

Em dezembro, A Justiça local condenou o brasileiro a três anos por contrabando e tentativa de tráfico de drogas. Desde então, o processo de transferência ao Brasil era tratado entre o Itamaraty e o governo russo. No último domingo, o indulto enfim foi concedido.


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