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Audiência com ministro Ricardo Salles vira palco de agressões  – Notícias

A audiência da comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara nesta segunda-feira (3), em que os deputados ouviam o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles,virou palco de embates entre parlamentares governistas e oposicionistas, e entre deputados e o ministro.

Na semana passada, o foco de tensão entre oposição e governo se restringiu ao Senado, na CPI da Covid, que teve bate-boca.

Durante o encontro desta segunda na Câmara, Salles associou o desmatamento maior a orçamento frágil e cobrou a Câmara por mais recursos

Em meio à discussão técnica os deputados se desentenderam. Os motivos das discussões foram as denúncias publicadas pela imprensa de que Salles teria relacionamento com madeireiras e a cobrança por mais recursos com insinuações e acusações do ministro endereçadas a alguns deputados.

A primeira discussão aconteceu quando a presidente da comissão, a governista deputada Carla Zambelli (PSL-SP), deu a palavra à deputada Vivi Reis (PSOL-PA): 

“Sou deputada pelo Pará, Estado esse que o ministro frequentemente visita para fazer reuniões com madeireiros, garimpeiros, grandes empresários, em abril desse ano a Polícia Federal apreendeu 200 mil metros cúbicos de madeira”. 

No meio da fala que seria de três minutos da deputada, ela começou a ser interrompida por outros deputados que diziam que ela estava fugindo da pauta. 

“Eu gostaria de ter a minha fala respeitada, eu sou deputada pelo Pará. Eu ainda nem comecei a minha fala. Por favor deputados me respeitem. Eu falei 30 segundos. Como diz que eu estou fugindo do objeto?” 

Carla Zambelli lembrou a todos que: “nenhum deputado poderá se referir de forma descortês ou injuriosa a membros do Legislativo ou Executivo”. 

A deputada Vivi Reis se defendeu: “O artigo 220 me garante o direito de fala e não agi de forma desrespeitosa”. 

Nesse momento o ministro interviu: “Fez acusações a minha pessoa que não são verdadeiras.”

Só depois do bate-boca, a deputada seguiu com a sua fala: “Foram apreendidos pela PF 200 mil metros cúbicos de madeira e nesse contexto há apontamentos de três ações praticadas por vossa excelencia: dificultar ações de fiscalização, exercer advocacia administrativa, e integrar negociações com organizações criminosas, e me parece que vossa exceleência tem o projeto político que conseguiu realizar o maior desmatamento dos últimos anos”. 

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) falou em seguida e acusou o PSOL de “armar um circo”: “Mais uma vez a gente observa a armação de um circo”. 

Em outro momento, o ministro Salles atacou diretamente um deputado petista, que é homônimo do ministro da Economia, Paulo Guedes.

“A recomposição dos recursos orçamentários feita pelo outro Paulo Guedes, aquele que é competente e prestigiado pela sociedade brasileira. Aliás cada um tem o Paulo Guedes que merece”

O deputado Paulo Guedes (PT-MG) reagiu: “O senhor tem que me respeitar”. 

A partir daí os deputados pediram para o ministro se retratar e e ele seguiu a fala dizendo que “quem fala o que quer, ouve o que não quer. Eu não fiz nenhuma ofensa, só falei que cada um tem o Paulo Guedes que merece o PT tem o dele e nós temos o nosso, e eu prefiro o nosso”. 

Depois, Salles se dirigiu ao deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP): 

“Vamos lembrar, em termos de legado, do que aconteceu em Bauru, deputado Rodrigo Agostinho, quando o senhor foi prefeito. A CPI dos Precatórios que deixou um problema de R$ 33 milhões por desrespeito às florestas urbanas. Por isso não fale do nosso legado e primeiro olhe para o seu município”. 

O deputado Rodrigo Agostinho rebateu: “Você tome vergonha na sua cara ministro!”

O ministro respondeu: “Você também, não mandou nada de emenda para cá, ambientalista de palanque”. 

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