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Caso Robson: Entenda os próximos passos após motorista preso por dois anos na Rússia retornar ao Brasil livre

A saída de Robson Oliveira pelo portão de desembarque do aeroporto do Galeão foi a cena de felicidade pela qual ele, sua família e os amigos tanto aguardavam. Mas isso não significa que a história que o levou a passar mais de dois anos numa prisão na Rússia tenha chegado ao fim. Há novos passos a serem dados por ele e seu advogado. Mas o objetivo agora não é a liberdade, já obtida. Mas, sim, a busca por reparação.

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O discurso de seu filho Robson Santos, enquanto aguardava pelo pai no aeroporto, deixou bem claro: para nenhum deles a Justiça foi feita. O motorista, preso por levar medicamentos proibidos na Rússia a pedido do jogador de futebol Fernando, para quem ele trabalhava à epoca, perdeu dois anos de sua vida. A liberdade, concedida no último domingo após a assinatura do indulto do presidente Vladimir Putin, não devolve este tempo.

— Na verdade, não foi feita justiça. Nada vai reparar os dois anos que ele ficou lá. Só ele e nossa família sabemos o que passamos. Gastamos, tivemos custo com advogados em cima de uma promessa que seria boa, de trabalhar em outro país com um jogador — desabafou Robson Santos:

— Isso mexeu com a vida de todo mundo. Ele não viu o nascimento do neto. Muitas coisas ele perdeu. Aniversários, Natal, Dia das Mães. E nada vai reparar estes dois anos. Então não houve justiça.

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A compensação será buscada na Justiça. Oliveira irá entrar com um pedido de indenização por danos morais e materiais contra Fernando. O entendimento é de que o jogador colocou o motorista nesta situação de forma consciente. Ele sabia que o medicamento era proibido na Rússia e que tentar entrar no país com ele é crime. Para completar, se omitiu e não assumiu a responsabilidade pelo ato quando o motorista foi preso.

A defesa de Oliveira irá pedir que o ressarcimento financeiro que compense os gastos que a família de Oliveira teve para buscar sua liberdade e o prejuízo gerado pelo fato de ele não poder ajudar no sustento da mãe e dos filhos ao longo destes mais de dois anos. Além, claro, de uma compensação pelo dano causado na imagem do motorista e o abalo emocional provocado nos familiares.


Ex-motorista do jogador Fernando tentou entrar com medicamentos proibidos no país. Ele desconhecia a proibição e levava os produtos a pedido do patrão e ficou dois anos presos na Rússia. Caso comoveu o país e contou com a atuação do Governo Federal

 

O trabalho será feito de forma a vincular Fernando com o episódio. Os advogados que trabalharam pela defesa de Oliveira em Moscou eram contratados pelos sogros do jogador. O entendimento é que, com essa manobra, o atleta tentou blindar sua imagem. No entanto, o advogado do motorista no Brasil garante ter provas e depoimentos que comprovam sua responsabilidade.

— Ele sempre soube que o medicamento era proibido na Rússia. Temos o depoimento de uma babá que trabalhou antes do Robson e que confirma que ele já tentava levar o produto para lá. Ele já tentou autorização com os médicos do clube e nunca conseguiu. E decidiu correr o risco mesmo assim expondo o Robson — disse o advogado Olimpio Soares.

No aeroporto, Oliveira recusou-se a falar sobre Fernando. Mas deixou escapar uma informação que será usada no pedido de ação reparatória.

— Eu não sabia que tinha medicamento na mala. Então não poderia saber se era proibido ou não.

Entenda o caso

Oliveira chegou a Moscou em 10 março de 2019 com a pretensão de trabalhar para o jogador Fernando, que na época atuava pelo Spartak Moscou. O remédio que ele levava na bagagem (duas caixas, com 40 comprimidos no total, de Mytedom — cloridrato de metadona — 10mg) é prescrito no Brasil para pacientes que convivem com dor ou tratamento de desintoxicação de narcóticos. Eles eram destinados ao sogro do atleta, William Pereira de Faria.

A substância é proibida na Rússia e foi apreendida pelas autoridades. William alegou ter pedido a medicação por sofrer de dores nas costas. Mas, oito dias depois, Oliveira foi preso depois de prestar depoimento.

Em outubro, o presidente Jair Bolsonaro interferiu pessoalmente no caso de Oliveira. Uma carta foi enviada ao presidente russo, Vladimir Putin, pedindo a soltura do motorista, sob o argumento de que ele entrou nessa situação por total desconhecimento da regra local.

Em dezembro, a Justiça local condenou o brasileiro a três anos por contrabando e tentativa de tráfico de drogas. Desde então, o processo de transferência ao Brasil era tratado entre o Itamaraty e o governo russo. No último domingo, o indulto enfim foi concedido.


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