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Ciência Hoje | O oceano que queremos

Espera-se que, a partir de agora, do início de 2021 até 2030, essa realidade tenha um grande aliado para sua transformação: a década do oceano. Assim como em outros decênios estipulados pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1960 a fim de despertar a atenção da humanidade para temas sensíveis e relevantes, a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável traz uma missão para cada um de nós: unir esforços para garantir o oceano de que tanto precisamos para que tenhamos o futuro que queremos.

 

Elemento central

De fato, o oceano é um tema urgente. Não apenas pela degradação que vem sofrendo com a poluição diversificada, a pesca excessiva, a destruição de hábitats e as mudanças climáticas, que impactam a biodiversidade e os benefícios que o oceano traz à sociedade. Mas também porque o oceano tem forte influência no funcionamento do planeta, como na regulação do clima, e nas atividades humanas que dependem direta ou indiretamente dele. É um elemento central na busca da sustentabilidade da Terra. Portanto, diz respeito a todos.

A década traz desafios a serem superados e metas a serem cumpridas, como aquelas associadas ao 14° Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU: conservar e promover o uso sustentável do oceano, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. Portanto, ações de combate à poluição e de restauração do ambiente marinho fazem parte desse caminho.

Entretanto, há um grande gargalo a ser superado para que tais ações possam ser propostas e implementadas: a falta de conhecimento científico. Conhecimento que precisa ser produzido e divulgado adequadamente, a fim de atingirmos a (cons)ciência de que precisamos para o oceano que queremos.

E qual é esse cenário? Um oceano limpo, saudável e resiliente, produtivo, previsível, seguro, transparente, inspirador e envolvente. Cada um desses sete objetivos exige diferentes ações que, cada vez mais, deixam de ser facultativas e passam a ser emergenciais. Interconectadas, elas buscam criar as bases para definirmos o futuro do oceano e, consequentemente, o destino do planeta. Por isso, se quisermos atingir essas metas e preparar o oceano que queremos, precisamos ampliar o nosso conhecimento sobre ele. Abaixo, discorremos sobre os sete objetivos da década.

 

Oceano limpo

Segundo relatório da Fundação Ellen MacArthur, em 2050 haverá mais plásticos do que peixes no oceano. Resíduos têm valor e não deveriam ser jogados fora indiscriminadamente. Parece óbvio, mas parte da população não pratica esse conhecimento básico – diariamente toneladas de lixo chegam ao oceano.

Esgoto, resíduos sólidos, produtos químicos, fertilizantes agrícolas, metais pesados e até remédios que liberamos em nossa urina são exemplos de formas de poluição que podemos gerar, tanto em terra quanto no mar. As fontes poluentes podem ser pontuais ou difusas, colocando em risco os ecossistemas, a saúde humana e o desenvolvimento sustentável do planeta.

O oceano que queremos requer que as fontes de contaminação sejam identificadas, reduzidas ou eliminadas.Para isso, existem vários caminhos, como ampliar a rede de coleta e tratamento de esgoto – que no Brasil atende apenas 50% das moradias –; fomentar a economia circular, promovendo desde o redesenho de produtos até soluções para sua destinação final; e fortalecer a política e os órgãos responsáveis por instrumentos de regulação, como o licenciamento ambiental.

 

Oceano saudável e resiliente

Um oceano saudável tem os componentes e processos de seus ecossistemas preservados. Em outras palavras, a biodiversidade está protegida e as relações entre os organismos e entre eles e o ambiente estão equilibradas. Portanto, um oceano saudável deve ser primordialmente limpo, sem poluentes, mas também sem outros tipos de agressão, como aquelas trazidas pela pesca excessiva, destruição de hábitats e mudanças climáticas.

Um oceano saudável é resiliente, ou seja, é capaz de lidar com eventuais alterações ambientais adicionais, causadas ou não pelo ser humano. O oceano que queremos exige que os ecossistemas marinhos sejam compreendidos, protegidos, restaurados e gerenciados. Mas o cenário atual é desolador, com uma lista crescente de espécies marinhas ameaçadas de extinção, como a raia-manta (Mobula mobular) e o tubarão-baleia (Rhincodon typus).


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