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De Michael Jordan a Mourinho, séres viram cases de popularidade e gestão de imagem

José Mourinho sempre foi um personagem controverso no mundo do futebol: amado ou odiado, sem meio termo. Mas o técnico voltou a ser um fenômeno de popularidade nas últimas semanas pelo sucesso além das quatro linhas. Na série “All or Nothing: Tottenham Hotspur”, da Amazon Prime, que mergulha nos bastidores do time inglês, o português passou a ser encarado com outros olhos e gerou simpatia até mesmo de rivais – e ele não é o único a viver esse fenômeno.

De Mourinho a Jordan:8 séries imperdíveis sobre esportes

A série documental da Amazon Prime mostra o dia a dia do clube na temporada 2019/2020. Debates sobre contratações, objetivos na Premier League e até como lidar com a pandemia da Covid-19 são vistos de dentro. Humanizado e compreendido, Mourinho rouba as atenções da série, mesmo diante de um elenco recheado de estrelas. Além de “All ou Nothing”, o Special One está em “The Playbook”, da Netflix.

As plataformas de streaming vem apostando em séries de esportes, que oferecem um acesso antes impensável à intimidade das estrelas. Em “The playbook”, cinco técnicos de diferentes modalidades contam seus segredos para a vitória. Outras, como ‘Sunderland até morrer’ mostram trajetórias de clubes, fórmula parecida com a de “All or Nothing”, que além do Tottenham, já mostrou a intimidade de equipes como o Manchester City, Philadelphia Eagles e a seleção brasileira.

Na série do Tottenham, as câmeras posicionadas estrategicamente captam reações naturais e sinceras de Mourinho, atletas e até mesmo do presidente do clube. Um caso emblemático envolveu a saída do lateral-esquerdo Danny Rose, que tinha mais de 12 anos de clube, para o Newcastle. Na época, o treinador virou alvo dos torcedores pela decisão. Na série, fica claro que o ultimato foi dado pelo atleta, que reclamava da falta de oportunidades. Mourinho justificou que outros atletas estavam em melhor momento, mas Rose preferiu deixar a equipe.

Curiosamente, o maior beneficiado pouco viu a série. Em entrevista ao ‘Tribuna Expresso’, de Portugal, Mourinho admitiu gostar da fama de superstar por causa dos episódios, mas lembrou que a importância maior é para os torcedores entenderem que os jogadores também são seres humanos.

— Vi partes (da série). As pessoas ficam com uma imagem diferente dos jogadores, isso é bom. Só confirma que quando os jogadores têm problemas, todos perdem. Tudo o que está relacionado com o meu trabalho é algo que amo. Não me vejo fazendo outra coisa na vida — declarou Mourinho.

Luzes sobre Jordan

Talvez o maior case de sucesso entre os seriados recentes seja “The Last Dance”, da Netflix, que mostra com detalhes a trajetória do Chicago Bulls de Michael Jordan, que dominou a NBA nos anos 1990. A série chegou a ser a mais assistida da plataforma durante duas semanas em maio e atingiu 6,1 milhões de telespectadores na ESPN americana.

“Sunderland até morrer” também se tornou um sucesso por mostrar a realidade dos clubes de menor investimento do futebol inglês. Não há títulos ou glórias, apenas dificuldades e crises. Talvez por mostrar uma realidade pouco comum, causou tanta identificação com os torcedores, que o adotaram como segunda equipe.

A série do Sunderland é totalmente o oposto da “Matchday: FC Barcelona”, que recebeu críticas por criar um universo fantasioso em volta do clube catalão. Além de ser produzida pela principal patrocinadora do clube, os diálogos pouco espontâneos, os elogios em excesso e a noção de realidade difere do que o time viveu em campo.

— Se o Sunderland fizesse uma série onde tentasse se mostrar um supertime, que lota estádio, é vitorioso, não ia dar certo. Como ele mostra algo real, as pessoas abraçam. O do Barcelona, quem ta assistindo e viu a temporada, vê que não está batendo com o vivenciado. Você vê que estão querendo vender outra coisa. É estranho — afirma Fernando Fleury, especialista em marketing esportivo.

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