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Estadão Verifica faz “fact-checking” em Prêmio Nobel. SÉRIO.

Luc Montagnier, o prêmio Nobel de Medicina de 2008, foi classificado como “fake news” por um jornalistinha qualquer da agência de censura Estadão Verifica, que auto-denomina seu trabalho de censura com o nome pomposo de “fact-checking”

Luc Montagnier, um dos mais renomados virologistas do mundo, atribuiu à vacinação em massa o risco de novas variantes do vírus da peste chinesa. A fala foi pechada como “fake news” por um jornalista “foca” chamado Victor Pinheiro.

Victor Pinheiro descreve-se como “jornalista freelancer” (sendo o mais correto “freelance”), mas acha que sabe mais de virologia do que um Prêmio Nobel de Medicina – além de Prêmio Körber de Ciência Europeia, Prêmio Japão, Prêmio de Medicina A.H. Heineken, National Inventors Hall of Fame e tantos outros.

Como agravante, o que a agência de suposto “fact-checking” Estadão Verifica classificar como fake news terá efeito de censura em páginas de Facebook, pois a plataforma reduz o alcance de páginas e perfis que citem fatos contrários à visão negacionista da ciência da agência.

Ou seja: se citarmos um homem considerado gênio, um prêmio Nobel de Medicina, um dos maiores virologistas do mundo, seremos tachados como divulgadores de “fake news” e teremos nosso alcance reduzido por censores querendo ser o novo Ministério da Verdade orwelliano. Tudo porque um Victor Pinheiro difamou um Prêmio Nobel de “fake news”, do alto de seu… bom, de seu cargo de “freelancer”. 

Se o caso de censura é grave, pois impede que a população conheça o pensamento de um grande cientista porque um jornalistinha qualquer passa a agir como censor, a tramóia se torna ainda pior quando o texto do tal Victor Pinheiro se contradiz mortalmente – como era de se esperar.

Por todo o arrazoado, Victor Pinheiro repete que “a imunização em massa é uma estratégia fundamental para prevenir o surgimento de novas cepas do vírus” e variações desta construção. 

Ora, ser “uma estratégia” não contradiz a fala do grande virologista Luc Montagnier – é como fulano criticar a guerra do Iraque por causar mortes, e beltrano tachar o diagnóstico como fake news porque “a guerra do Iraque é uma estratégia fundamental contra o terror”, citando frases também sem contexto. 

Claro que exigir lógica básica para alguém que faz bico na agência de censura do Estadão é como pedir para uma muriçoca explicar um oscilador harmônico de mecânica molecular.

Está ruim? Pois que tal a interpretação que Victor Pinheiro força aos murros para refutar a afirmação de Montaigner de que “novas variantes são produtos e resultados da vacinação”? Além de apenas avaliar a frase solta, sem contexto, sem ligar para a assessoria de Montaigner para pedir explicações, o foca dispara:

A cientista [a imunologista e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre Cristina Bonorino] explica que a vacinação em massa é, na verdade, essencial para reduzir as chances de variantes potencialmente mais perigosas surgirem. Ela expõe que quanto maior a circulação do vírus na sociedade, mais chances de uma nova linhagem emergir. Trata-se de um processo natural que acontece na multiplicação desses microorganismos nas células invadidas.”

Ora, a afirmação da dra. Cristina Bonorino não “desmente” a afirmação do virologista prêmio Nobel Luc Montagnier. Variações ocorrem com circulação. Corolário óbvio: vírus variam em novos ambientes (novos infectados, com diferentes fisiologias). Isto não significa que a vacinação impede (“estrategicamente”) a variação – pelo contrário, estamos criando novas fisiologias e novos ambientes para a circulação, ainda que pessoas possam ser imunizadas no processo. A imunização de parte da população e a variação do vírus são fenômenos síncronos: será difícil encontrar algum virologista ou epidemiologista que discorde.

O próprio texto do “freelancer” do Estadão cita mais uma fala correta da doutora Cristina Bonorino:

“Bonorino ressalta que as vacinas de covid-19 disponíveis até o momento foram desenvolvidas para prevenir o agravamento da doença, e não para impedir a transmissão do vírus.”

Será que o tal Victor Pinheiro sabe o básico sobre teoria da evolução e variações de cepas?  

Ser um “processo natural”, como afirma corretamente a doutora Cristina Bonorino, tampouco desmente a frase também correta do prêmio Nobel: o processo natural de mutação é, ehrr, natural – mas isto não significa que a frase “novas variantes são produtos e resultados da vacinação” esteja errada: uma reação natural a uma vacinação não significa que o resultado não decorreu da vacinação.

A levar a interpretação forçada de Victor Pinheiro a sério, não poderíamos dizer que a peste chinesa “causa” febre: afinal, a febre é um “processo natural” do corpo em resposta a um vírus, portanto, a causa da febre não seria o vírus, mas nosso próprio corpo. Imagine, então, parar de exigir testes de febre para se entrar em ambientes públicos com base em uma interpretação como a da agência Estadão Verifica?

Uma imbecilidade destas nunca seria dito à voz alta. Mas, para a Estadão Verifica, que se acha a “checadora da verdade”, este tipo de política é vendida como “fact-checking”, tudo em nome de uma política que pode ter conseqúências desastrosas que ainda desconhecemos.

A variação de vírus e bactérias (esta, mais lenta) após vacinações em massa é um fato extremamente conhecido – ver “Vaccines Could Drive The Evolution Of More COVID-19 Mutants”. Em nenhum momento a Estadão Verifica dignou-se a lidar com a questão – apenas tergiversa retoricamente afirmando que “vacinação é estratégia” (não diga?!) e distorce uma declaração correta, até que a sentença “variações são naturais” tenha um sentido que, supostamente, o virologista nobelizado doutor Luc Montagnier desconheça – apenas o “freelancer” Victor Pinheiro. Talvez Pinheiro queira dar umas aulas de virologia a Montagnier.

Pode piorar ainda mais? Claro, estamos no Brasil: este tipo de campanha de desinformação (ironicamente feita em nome de “combater a desinformação”) é usado na tal “CPI da Covid”, conhecida pelos brasileiros como “CPI do Circo”. Ou seja: além de dizer a verdade ter prejuízo de alcance por quem controla a informação, políticos autoritários basear-se-ão em um Victor Pinheiro da agência ignorante “Estadão Verifica” para tentar mandar para a cadeia quem ousar pesquisar sobre conseqüências incontroláveis – mas extremamente presumíveis – de uma política. E “genocida” é quem discorda.

O caso é gravíssimo: agências de censura apenas utilizam o nome pomposo de “fact checking” para impedir conhecimento. Passou da hora de uma atuação legislativa forte para impedir que agências de censura continuem a prejudicar o conhecimento que pode salvar vidas.

A frase de um prêmio Nobel, simplesmente por deixar premissas ocultas (presumindo uma platéia inteligente), é proscrita com o maior anátema da década: fake news. E quem divulga um gênio é censurado por um jornalista qualquer, que faz “freelancer” (sic) na agência “Ministério da Verdade do Estadão”. Ninguém leu 1984?

Quem elegeu tais agências como censoras em nosso ordenamento jurídico? Quem elegeu Victor Pinheiro e sua interpretação sub-ginasiana como classificador injurioso do que seria “fake” – chamando até um virologista prêmio Nobel com a injúria da década?

Será que foi o prêmio Nobel na estante do jornalista “freelancer”? 

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