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Flamengo: o que ainda segura Dome no cargo?

As sonoras goleadas para São Paulo e Atlético-MG dão fim à tranquilidade que Domènec Torrent teve no Flamengo ao longo do mês de outubro. Só que entre a gritaria da torcida nas redes sociais e a decisão da diretoria em interromper o trabalho há uma distância.

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Talvez menor do que já foi nas últimas semanas, é verdade. Mas há fatores que levam à sensatez e evitam uma demissão de um técnico com o time vivo na luta pelo título das três competições mais importantes do calendário.

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Ainda que se esqueça em dado momento, os impacto do calendário brasileiro sobre o Flamengo é o principal. O time perderá mais uma vez três atletas para as seleções – Everton Ribeiro, Pedro e Isla. E tenta recuperar dois que se machucaram após as últimas convocações – Rodrigo Caio e Arracaeta. Todos titulares.

No jogo contra o Atlético-MG, Gabigol voltou, mas houve nova baixa. E das grandes. Filipe Luis sentiu dores musculares e abandonou a partida. O lateral é uma espécie de guardião das ideias defensivas que vê ruírem.

A situação física do elenco, mesmo após o surto de Covid-19, obrigou Dome a promover sete jovens da base, alguns deles se tornaram solução, como o zagueiro Natan e o goleiro Hugo Souza. O grupo recheado de bons reforços não deu conta de suprir tantas carências.

Mesmo assim o time segue na disputa pela liderança do Brasileiro, a um ponto do Inter. E está vivo no mata-mata da Libertadores e na Copa do Brasil. A queda de rendimento dos atletas que escaparam do departamento médico é consequência natural da dificuldade cada vez maior de rodar o time. Em que pese os problemas táticos, responsabilidade da qual o treinador não pode fugir.

Na frieza dos números, a troca no comando no momento não é vista no clube como a opção mais inteligente. Não só pela multa rescisória de Dome e sua comissão, de dois milhões de dólares. Mas pela conclusão óbvia de que inaugurar um novo trabalho para substituir um que sofre com a falta de tempo seria mais do mesmo. A principal força a manter Dome ainda é o vice de futebol Marcos Braz. Mas a pressão no entorno cresce.

E os números em campo também gritam. O Flamengo não havia sido tão goleado de forma sequencial em muito tempo. O que leva também a um ponto fatídico. Os atletas do clube, com toda a boa vontade, tentaram, mas não compraram de forma definitiva as ideias de Dome. Não há confiança plena em sua execução. E falta tempo para prática, é verdade.

Em novo momento turbulento, assim como depois da goleada para o Del Valle na Libertadores, vale observar que tipo de respaldo do grupo o técnico espanhol terá. Pelos relatos, há maior isolamento do treinador nos últimos dias. Resta saber se consequência dos resultados apenas, ou até de algumas declarações de Dome, ou de uma desmobilização que se ensaia desde a troca de comando em agosto.

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