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Geórgia. Partido no poder e oposição clamam vitória nas eleições

O partido do governo na Geórgia e uma frente unida da oposição reivindicaram cada um por seu lado a vitória nas eleições legislativas, celebradas no sábado no pequeno país do Caúcaso. As sondagens à boca das urnas também indicavam resultados contraditórios.

O líder do Sonho Georgiano (no poder), o milionário Bidzina Ivanishvili, assegurou que seu partido “venceu as eleições pela terceira vez consecutiva”, enquanto o opositor Mikheil Saakashvili, um  antigo presidente no exílio , disse que “os partidos da oposição conseguiram uma grande vitória”.

Estas declarações contraditórias foram acompanhadas de pesquisas no mesmo sentido: segundo a emissora pró-governo Imedi TV, o Sonho Georgiano teria vencido com 55 por cento dos votos, mas outra sondagem com uma emissora ligada à oposição, a Mtavari TV, informou que a coligação opositora venceu com 52%.

Por causa de complexas regras eleitorais, os resultados oficiais podem levar semanas até serem conhecidos: “Os partidos da oposição devem formar agora um governo de união nacional”, assegurou Saakashvili, num discurso transmitido pela televisão da Ucrânia, onde é conselheiro político e económico do presidente.

Ivanishvili, de 64 anos, foi primeiro-ministro no passado e é o homem mais rico desta antiga república soviética, enquanto Saakashvili, de 52 anos, teve uma carreira política rocambolesca na Ucrânia nos últimos anos.

Saakashvili conseguiu este ano reunir as forças da oposição georgiana e formar o Movimento Nacional Unido (UNM). A Geórgia, com quatro milhões de habitantes, é um exemplo de democracia entre as ex-repúblicas da URSS, mas tem uma história turbulenta.

Na quinta-feira, dezenas de milhares de simpatizantes de Saakashvili reuniram-se na praça principal de Tiblisi, a capital: ” A nossa vitória aproxima-se. A Geórgia acordou e está pronta para escolher a liberdade em detrimento da opressão”, disse à multidão o ex-presidente, num apelo feito por videoconferência.

Mikheil Saakashvili foi obrigado a exilar-se em 2013, no fim do seu segundo mandato por ter medo de ser detido por acusações de abuso de poder. O antigo chefe de Estado considera voltar e ser nomeado primeiro-ministro, caso vença as eleições legislativas.

Em oito anos no poder, a popularidade do Sonho Georgiano foi se desgastando, num contexto de dificuldades económicas e acusações de que constitui uma ameaça à democracia. Os críticos acusam Bidzina Ivanishvili de ter exercido pressão sobre seus adversários e favorecido a corrupção: “Um oligarca que possui 40 por cento da riqueza do país apropriou-se dele e o dirige como um feudo”, denuncia Saakashvili, entrevistado pela AFP.

De acordo com as estimativas, a oposição tem uma pequena vantagem nas intenções de voto, mas o Sonho Georgiano pode mobilizar os seus “recursos financeiros e administrativos” para derrotá-la, avalia o especialista Gia Nodia.

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