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Internacional x Botafogo: escalações, onde assistir e por que eventual queda alvinegra será pior do que as anteriores

O Botafogo tenta neste sábado, contra o Internacional, no Beira-Rio, às 19h, evitar sua segunda série de dez jogos sem vitórias no Brasileiro. O time é penúltimo e vem de seis derrotas seguidas. Lembranças dos dois rebaixamentos anteriores à Série B são inevitáveis. Mas o possível processo de queda e reconstrução tende a ser mais duro.

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Até 2019, o clube grande que caía recebia mais uma temporada de direitos de transmissão em valores da Série A. Com mais dinheiro que os concorrentes, era relativamente simples montar um time para subir. Só que o paraquedas acabou. O Cruzeiro, além de ter perdido pontos por dívidas na Fifa, prova isso em 2020.

O clube que cai pode optar pelos R$ 6 milhões da cota recebida por todos os outros participantes ou apostar na força do pay-per-view. O Cruzeiro escolheu a segunda opção. A rentabilidade vai depender do percentual de torcedores assinantes.

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Para o Botafogo, mexer nos direitos de TV significa um baque no item que representou 53% dos R$ 191 milhões de receitas totais em 2019.

Quando o Botafogo frequentou a Série B pela última vez, em 2015, a verba com direitos de transmissão — considerando todas as competições — até cresceu de um ano para outro: de R$ 51 milhões para R$ 58 milhões. Esse cenário é impensável se o filme do rebaixamento se repetir em 2021. No geral, o Botafogo teve uma queda de R$ 42 milhões na receita total entre 2014 e 2015.

O que pode atenuar o recorte de 2021 é que parcelas de 2020 serão pagas ano que vem, já que a Série A vai até 24 de fevereiro. Inclusive a premiação pela posição final. Se o Botafogo não cair, parte vai para os jogadores.

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O contrato de TV é relevante para o Botafogo no momento porque é com as parcelas dele que os funcionários têm sido pagos — via acordo judicial que envolve o sindicato. Essa dor de cabeça está resolvida pelo menos até o fim do Brasileirão.

O Botafogo tem problema com dívidas cíveis e trabalhistas, algo na casa dos R$ 430 milhões. São elas que geram penhoras. Com eventual rebaixamento, a quitação ficaria mais complexa.

O alvinegro fechou 2019 com um endividamento líquido de R$ 819 milhões, segundo método usado pela EY. Isso significa que a dívida era 4,29 vezes o valor da receita. Com a queda para a Série B, sem contar ainda a consolidação dos números de 2020 — já que o clube não divulga balancetes —, esse índice iria disparar.

Concorrência

Ainda que tenha receita maior do que concorrentes da segunda metade da tabela, o Botafogo está longe de ser o clube mais saneado. Os rivais Ceará e Fortaleza, por exemplo, conseguem dar passos do tamanho das próprias pernas, sem carregar um passivo oneroso. No Fortaleza, o endividamento líquido correspondeu em 2019 a 22% da receita total (R$ 115 milhões). No Ceará, 15% dos R$ 98 milhões.

Proporcionalmente, o cenário financeiro do Sport é mais parecido com o do Botafogo. Como veio da Série B, a receita em 2019 foi baixa (R$ 39 milhões), o que dificulta a situação com um endividamento de R$ 172 milhões. No campo, no entanto, o time pernambucano conseguiu cinco pontos a mais até agora e respira fora da zona de rebaixamento.

O jogo do Botafogo contra o Internacional ganha ares de drama. A meta alvinegra de vencer oito jogos até o fim do campeonato se torna cada vez mais difícil. Pelo menos o técnico Eduardo Barroca, recuperado da Covid-19, estará à beira do campo.

— Temos ciência do momento que estamos passando, mas com muito trabalho, muita dedicação e mudança de hábito a gente precisa dar uma resposta imediata. Espero que já no jogo contra o Inter a gente tenha a possibilidade de iniciar uma reviravolta — disse Barroca.

A crise técnica caminha ao lado da dificuldade de gerar novas receitas. A base de sócios está em 31.214. Apesar das contratações de Honda e Kalou, é preciso dar motivos para o torcedor se engajar. Para piorar, não há previsão de quando as receitas de bilheteria retornarão. Comercialmente, o clube avança. O patrocínio master atual, no entanto, vai só até o fim do Brasileiro.

E a S/A?

Um clube na Série B traz menos retorno financeiro. Diante disso, uma questão é até que ponto atrapalharia mais os planos de transformação do futebol em S/A. Futuro presidente, Durcesio Mello disse antes da eleição “nem contar com a possibilidade” de a S/A não sair. Por isso, o grupo de trabalho que toca o modelo 2 de captação dos recursos segue trabalhando. Mas não se espera nada para 2020.

No estágio atual, a equipe encabeçada por Gustavo Magalhães — que tomou as rédeas após o afastamento de Laercio Paiva, “capitão” do modelo 1 —, já fez contatos por vídeo com potenciais investidores externos.

A apresentação ainda não muda diante do risco de Série B, porque o cenário do campo é considerado como mutável. Ao mesmo tempo, o Botafogo aguarda o fim dos trâmites burocráticos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para constituir dois fundos de investimentos. Um para financiamento da S/A e outro para pagamento da dívidas.

As conversas com credores estão em andamento, na tentativa de abatimento da dívida. A aproximação vai do maior para o menor. Mas os acordos precisam ser sacramentados mediante um cenário mais factível de receita para quitá-los.

Na rearrumação do projeto S/A está a definição de quais ativos seriam transferidos para os eventuais investidores. O valor intangível depende da permanência na Série A.

Escalação do Internacional

O provável time é: Marcelo Lomba; Rodinei, Moledo, Cuesta e Moisés; Dourado, Lindoso, Edenílson, Patrick e Marcos Guilherme (Yuri Alberto); Thiago Galhardo.

Escalação do Botafogo

Eduardo Barroca deve mandar a campo o time com: Diego Cavalieri; Kevin, Kanu, Helerson e Victor Luís; José Welison, Caio e Honda; Warley, Bruno Nazário e Pedro Raul.

Transmissão

Premiere e Rádio CBN.

Fonte

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