Educação

Jovem Pan vende discurso negacionista de ministro da Educação. Professores rebatem

São Paulo – O Sindicato dos Professores do ABC divulgou nesta quarta-feira (21) nota de repúdio aos ataques a sindicatos, especialmente os que representam os docentes, desferidos por apresentadores da rádio Jovem Pan. Na edição de hoje do programa Morning Show, que vai ao ar das 10h às 11h30, a equipe de comentaristas procurou vender o discurso negacionista do ministro da Educação Milton Ribeiro. E esculachou professores e sindicalistas.

Na noite de ontem, em cadeia nacional, o ministro conclamou a população à volta às aulas presenciais. “O Brasil não pode continuar com as escolas fechadas, gerando impactos negativos nestas e nas futuras gerações”, disse. E reafirmou que o governo Bolsonaro não pode interferir. Ribeiro tem repetido publicamente que, caso contrário, “todas as escolas estariam reabertas”.

Pressão dos sindicatos

Um dos comentaristas, Adrilles Jorge, afirmou que as aulas presenciais demoram a retornar por causa da pressão exercida pelos sindicatos. “É uma estupidez, boçalidade… A gente sabe que sindicato não gosta de trabalhar, gosta de mamar na teta… Sindicato de professor, todo sindicato.” A fala acabou endossada pelos demais.

“Os profissionais da Educação em momento algum reduziram sua carga de trabalho. Muito pelo contrário. Toda a classe precisou se reinventar, comprar – do próprio bolso – recursos multimídias para que as aulas tivessem continuidade no formato remoto e atender, sem horário de expediente respeitado, alunos e responsáveis para sanar dúvidas. Tudo porque sabem de sua missão, mesmo que sem suporte de autoridades políticas ou empresários mantenedores de escolas”, diz trecho da nota de repúdio.

Com Milton Ribeiro no MEC, educação completa mais um ano de abandono

Confira

Confira a íntegra da nota

Nota de Repúdio – Jovem Pan

Com consternação e repulsa, recebemos, na manhã desta quarta-feira (21/7), trechos do programa transmitido pela Rádio Jovem Pan, Morning Show, com ataques e difamações a sindicatos, em especial aos que representam professores.

Em comentários sobre a fala do ministro da Educação, Milton Ribeiro, a bancada atacou, de forma veemente e ignorante, a atuação do movimento sindical durante o enfrentamento à pandemia. Os ditos “comentaristas” afirmaram que as aulas presenciais demoraram a retornar por conta da pressão exercida pelos sindicatos e por comodismo da classe docente.

Se por um lado podemos nos sentir lisonjeados pelo reconhecimento à força que os movimentos sérios têm em nosso País, por outro, infelizmente, somos tomados de indignação às falas que apenas retrataram desconhecimento da realidade.

É de conhecimento público que o Brasil patinou em todas as esferas por incompetência e incapacidade de gestão do Governo Federal, que sempre minimizou a gravidade da situação, negligenciou a compra de vacinas e apenas atrasou o restabelecimento sanitário, econômico e social. Se a nação tivesse sido devidamente respaldada por uma autoridade presidencial responsável, certamente o cenário poderia ser outro.

Os profissionais da Educação em momento algum reduziram sua carga de trabalho. Muito pelo contrário. Toda a classe precisou se reinventar, comprar – do próprio bolso – recursos multimídias para que as aulas tivessem continuidade no formato remoto e atender, sem horário de expediente respeitado, alunos e responsáveis para sanar dúvidas. Tudo porque sabem de sua missão, mesmo que sem suporte de autoridades políticas ou empresários mantenedores de escolas.

Lamentamos que use do microfone para disseminar, de forma desrespeitosa, ódio e ignorância, enaltecendo, assim, que de Educação ele nada entende ou pratica”

Ao se referir aos sindicatos, o pseudo intelectual Adrilles Jorge usou termos como “não gostam de trabalhar, gostam de dinheiro e de mamar na teta; nefastos; câncer; burros, boçais, canalhas, ratos, vigaristas e criminosos de vagabundagem remunerada”, “que ceifam o direito moral, social e intelectual das crianças”. A ele, apenas lamentamos que use do microfone para disseminar, de forma desrespeitosa, ódio e ignorância, enaltecendo, assim, que de Educação ele nada entende ou pratica.

Por fim, ressaltamos que comparar o Brasil com países bem sucedidos, que já retomaram as atividades presenciais, reiteram a falta de parâmetros e de compreensão da realidade.

Cobrem, senhores locutores, ação do Governo Federal que vocês, sim, tanto defendem por interesses políticos. O movimento sindical luta bravamente para resistir diante das precarizações nas relações trabalhistas defendidas por empresários que colocam em primeiro lugar exclusivamente o lucro. Para nós, vidas, trabalho, saúde, educação e dignidade importam.

Se desconhecem a seriedade dos sindicatos e a rotina dos professores, ao menos não reverberem discursos ignorantes.

Sindicato dos Professores do ABC


Redação: Cida de Oliveira

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