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Mais de 61 mil coalas estão entre 3 bilhões de animais afetados pela crise de incêndios florestais

Pixabay

Um novo relatório afirma que 143 milhões de mamíferos foram afetados pelos incêndios de 2019-2020, um dos “piores desastres que recaiu sobre a vida selvagem na história moderna”.

Estima-se que mais de 61.000 coalas e quase 143 milhões de outros mamíferos nativos estavam no caminho das queimadas na Austrália no final de 2019 e início de 2020, de acordo com uma grande avaliação sobre o custo ecológico dos incêndios durante o “verão negro”.

Segundo a avaliação de 10 pesquisadores e cientistas apresentada em um relatório encomendado pelo grupo ambientalista internacional WWF Austrália (World Wide Fund for Nature Australia), houve perdas devastadoras de habitats em todo o país.

Quase 3 bilhões de animais, incluindo 2,46 bilhões de répteis, estavam no caminho das chamas, diz o relatório – este número coincide com os cálculos da equipe presentes em um relatório provisório, revelado em julho pelo jornal The Guardian.

Dermot O’Gorman, executivo-chefe da WWF-Austrália, diz no prefácio que o relatório mostra que os

incêndios foram “um dos piores desastres que recaiu sobre a vida selvagem na história moderna”.

O professor Chris Dickman, ecologista da Universidade de Sydney, Austrália, que ajudou a conduzir o projeto, disse ao The Guardian: “Os números [de animais afetados] são absolutamente enormes. É realmente um chamado às armas para tentarmos fazer algo porque, no presente cenário de mudanças climáticas, esses incêndios vão acontecer novamente.”

Cerca de 181 milhões de aves e 51 milhões de sapos também viviam em habitats dentro das áreas queimadas, que atingiram cerca de 12,6 milhões de hectares – uma área quase do tamanho da Inglaterra.

Entre os 143 milhões de mamíferos afetados estavam um milhão de vombates, 5 milhões de cangurus e wallabies, 5 milhões de morcegos, 39 milhões de gambás e planadores e 50 milhões de ratos e camundongos nativos.

Cerca de 5,5 milhões de marsupiais como bettongias, bandicoots, quokkas e potoroos também foram afetados.

A equipe escreveu que por causa da falta de dados e conhecimento sobre maneiras através da quais as espécies pudessem sobreviver no habitat queimado, bem como incertezas sobre a forma como o fogo interagiu com outras ameaças aos animas, os cientistas não puderam precisar quantos dos 3 bilhões de animais morreram.

“Mesmo que os animais residentes tenham conseguido escapar e sobrevivido aos incêndios, eles certamente passaram por inúmeras situações de extrema vulnerabilidade subsequentes às chamas, como consequência de ferimentos ou estresse pós-traumático, além de serem privados de recursos-chave de sobrevivência”, diz o relatório.

Estima-se que 61.353 coalas foram atingidos, O’Gorman escreveu: “Esse é um número devastador para uma espécie que já estava entrando em extinção no leste da Austrália. Não podemos perder mais coalas”.

Entre 43.261 e 95.180 coalas foram atingidos, sendo que a estimativa média é de 61.353 de animais afetados.

Em novembro, a Ministro do Meio Ambiente, Sussan Ley, anunciou um censo nacional de marsupiais para tentar endereçar “uma grave falta de dados sobre a situação real das populações destes mamíferos”.

No Nova Gales do Sul, um inquérito parlamentar descobriu que coalas seriam extintos no estado até 2050 se nada fosse feito para salvar seu habitat.

O relatório da WWF-Austrália diz que os incêndios afetaram um número de até 14.736 coalas neste estado australiano.

O local mais atingido foi a Ilha Canguru, no sul da Austrália, onde estima-se que cerca de 41.230 coalas estavam no caminho dos incêndios que queimaram cerca de metade da ilha.

Dickman disse que o relatório foi importante porque documentou impactos em animais símbolos da Austrália, como cangurus e coalas, ao lado de animais silvestres menos conhecidos, mas que são únicos e importantes.

“Se você trabalha no ambiente florestal, então você sabe que há muito mais animais vivendo nessas áreas que não recebem publicidade – outros animais carismáticos fantásticos como planadores que vivem nestes habitats e estão sendo eliminados também.”

Uma série de técnicas e fontes foram utilizadas para estimar os impactos em diferentes espécies. As estimativas para os mamíferos baseavam-se em dados disponíveis sobre as densidades populacional de espécies em diferentes áreas.

Os impactos dos répteis foram utilizados como modelo para as aves, foram realizadas mais de 100.000 pesquisas para a instituição BirdLife Australia. Cerca de 67 espécies de sapos foram mapeadas e suas densidades populacionais foram estimadas por meio de pesquisas anteriores.

No entanto, um grande número de outras espécies provavelmente foram afetadas pelos incêndios, mas não foram incluídas no relatório.

Segundo relatório sabe-se que peixes de água doce e lagostins foram gravemente atingidos, mas não foi possível calcular a gravidade da situação de forma confiável.

As autoridades contaram centenas de milhares de peixes mortos após cinzas e lama causadas pelo fogo chegarem aos rios.

A avaliação também não pôde incluir artrópodes – um grupo que inclui, aranhas e outros insetos – mas apontou para outras pesquisas que estimam que provavelmente trilhões deles foram atingidos.

O relatório inclui 11 recomendações que exigem uma melhor compreensão dos impactos das queimadas, mais pesquisas sobre espécies, conhecimento sobre a situação dos animais e investimento em manejo de outras ameaças.

“Ao lado da mortalidade causada pela exposição direta às chamas, inalação de fumaça, calor e escoamento de sedimentos, o fogo interage com outros estressores, exacerbando ameaças à persistência de espécies e ecossistemas ameaçados”, diz o relatório.

“Três das maiores ameaças à flora, fauna e ecossistemas australianos são os regimes de incêndio alterados, as espécies invasoras e o desmatamento; todas estas ameaças interagem entre si compõem o quadro geral.”

Dickman, um membro da Academia Australiana de Ciências, disse: “Um passo fundamental é tentar melhorar nosso monitoramento de praticamente todas as bio-regiões do continente”.

“Estaremos em uma posição muito melhor para entender a situação das populações e com isso devemos estar em uma posição melhor para mitigar incêndios, inundações e secas.”

Ele disse que havia muitos animais que a ciência pouco conhecia e, como estão ocorrendo eventos mais extremos, as espécies estão ficando sem tempo e correm o risco de acabar. “As janelas estão se fechando rápida e progressivamente”, disse ele.

Dickman disse que apenas um exemplo dos benefícios do monitoramento foi que, após os incêndios, o governo de Nova Gales do Sul jogou cenouras e batata doce em habitats de pequenos cangurus wallabies ameaçados.

Isso só foi possível, disse ele, porque o governo sabia onde os pequenos cangurus wallabies viviam.
A Austrália tinha a responsabilidade moral e ecológica de salvar os animais, disse ele, porque a grande maioria dos afetados não existe em nenhum outro lugar da Terra.

Fonte

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