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O estorninho-de-dorso-violeta e o segredo do seu brilho metálico

O estorninho-de-dorso-violeta (Cinnyricinclus leucogasteré o único representante do gênero Cinnyricinclus, que pertence à família dos estorninhos (ordem Passeriformes). Esse animal fascinante habita as florestas de savana da África continental subsaariana.

Embora muitos estorninhos tenham plumagem opaca, o estorninho-de-dorso-violeta é uma das espécies de coloração altamente iridescente. Esse grupo, que se destaca por sua cor maravilhosa, inclui espécies de vários gêneros:

  • Melro Superbus (Lamprotornis superbus) da África Oriental.
  • Estorninho-de-peito-dourado (Lamprotornis regius) também da África Oriental.
  • Estorninho-metálico (Aplonis metallica) das Ilhas do Pacífico.

Essa ave é uma espécie relativamente pequena (com 17 centímetros e 55 gramas). Apenas o estorninho-de-dorso-violeta macho tem o peito branco e o dorso violeta iridescente marcante que designa a espécie. As fêmeas e os filhotes são castanhos na cabeça e no dorso, com ventre branco com manchas castanhas. Todos têm bicos e patas pretas.

Um forte dimorfismo sexual

Essa espécie de ave tem uma distribuição muito ampla, pois é encontrada desde o sudoeste da Península Arábica até a África subsaariana. É comum encontrá-la em florestas tropicais e savanas, mas também pode ser vista em parques e jardins em assentamentos humanos. Raramente é vista no solo, mas é encontrada em árvores e em posições elevadas.

Em geral, o estorninho-de-dorso-violeta é encontrado em toda a savana florestal da África, ao norte e ao sul das florestas equatoriais. Segundo relatórios científicos, a espécie é parcialmente migratória. Portanto, a ave se afasta do equador para se reproduzir um pouco antes e durante as respectivas chuvas, e retorna durante a estação seca seguinte.

Até o momento, três subespécies são reconhecidas, com distribuição geográfica própria:

  1. Cinnyricinclus leucogaster leucogaster é encontrado do Senegal e Gâmbia até a Etiópia, o Quênia e a Tanzânia.
  2. Cinnyricinclus leucogaster arabicus é encontrado no leste do Sudão, noroeste da Somália e na Península Arábica.
  3. Cinnyricinclus leucogaster verreauxi é comum no sul da República Democrática do Congo, no oeste da Tanzânia ao sul de Botswana, nordeste da África do Sul e Moçambique.

Essas aves são muito sociáveis, pois vivem juntas em colônias. Além disso, o alimento mais comum para elas são frutas, mas também insetos, principalmente cupins que pegam durante o voo. Quanto ao ninho, o pássaro o faz em covas de árvores centenárias, utilizando penas, material vegetal e fezes. A fêmea pode colocar até seis ovos, que incuba por cerca de 14 a 18 dias.

Na natureza, os padrões de cores são um elemento-chave para a seleção sexual. Frequentemente, a coloração das espécies animais está envolvida na comunicação inter e intraespecífica.

É interessante saber que os diferentes padrões que encontramos na natureza dificilmente foram estudados, talvez pela dificuldade de capturar efetivamente sua variabilidade com os métodos usuais.

Em primeiro lugar, é importante notar que as colorações da plumagem, como acontece nas borboletas e outros animais, são de dois tipos:

  • Colorações à base de pigmentos: inclui melaninas, carotenoides e outros. Formam uma pequena paleta de cores.
  • Colorações estruturais: são formadas pelo efeito da luz nas nanoestruturas. Tons iridescentes geralmente são o resultado da estrutura da pena. Através desse mecanismo, uma ampla gama de cores iridescentes é possível.

Em uma pena, as barbas correspondem a cada “pelo”, que se ramifica perpendicularmente em barbilhos ou bárbulas. Por sua vez, essas bárbulas se ramificam. Na pena, as pontas adjacentes se engancham, formando a estrutura da pena.

Na plumagem, a coloração estrutural é o produto de arranjos em escala nano de vários elementos. Ou seja, placas de queratina, melanossomas e o ar dentro das bárbulas das penas. Claro, uma mesma espécie de pássaro pode apresentar em suas áreas de plumagem cores produzidas por diferentes mecanismos e pigmentos. Além disso, é comum que a mesma plumagem apresente combinações dos dois mecanismos.

Os melanossomas, pequenos feixes de melanina encontrados nas penas, pele e pelo de muitos animais, podem produzir cores estruturais quando adequadamente organizados em camadas sólidas.

Como observado anteriormente, as cores estruturais são formadas pela ordenação de nanoestruturas termodinamicamente estáveis, por exemplo, conjuntos hexagonais. Em geral, na plumagem de muitas aves, os melanossomas envolvidos no arranjo são sólidos, o que leva a pequenas variações de cor.

Assim, para a natureza atingir cores mais brilhantes ou mais saturadas, seria necessário atender a uma dessas duas condições:

  • Melhorar o contraste do índice de refração.
  • Aumentar a quantidade relativa de material, com baixo índice de refração.

A plumagem do estorninho-de-dorso-violeta cumpre a segunda condição. Em 2013, um relatório científico estabeleceu que o arranjo estrutural na plumagem colorida do estorninho-de-dorso-violeta apresenta uma mistura variável de melanossomas ocos e sólidos. Esse é o segredo do seu brilho intenso e da cor iridescente de sua plumagem.

Como é produzida a coloração de uma pena?

Em geral, espera-se que os passeriformes contribuam para a propagação das sementes por até alguns quilômetros. O estorninho-de-dorso-violeta migratório poderia dispersar muito mais as sementes ingeridas.

Por outro lado, o tamanho da população mundial do estorninho-de-dorso-violeta não foi quantificado. No entanto, a espécie é descrita como comum a abundante em toda sua distribuição. Devido à sua ampla distribuição e por não existir risco específico conhecido para essa espécie, a UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza) a classifica como “menos preocupante”.

Fonte

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