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O que esperar de Elden Ring, jogo do criador de Game of Thrones

Numa análise aprofundada do trailer de lançamento, contamos pra você o que esperar de Elden Ring, novo jogo da From Software com George Martin, de Game of Thrones

Após anos de incertezas dolorosas — mas ainda menos amargas que a falta de informações sobre os dois últimos livros da franquia Game of Thrones —, podemos, finalmente, nos perguntar com mais propriedade: o que esperar de Elden Ring? Não por acaso, o trailer lançado nos últimos minutos do Summer Game Fest, no mês passado, foi um sucesso estrondoso e atraiu todos os entusiastas pelo jogo como abelhas num jardim em época de polinização.

Ao contrário de nossas colegas polinizadoras, entretanto, faz-se necessário avaliar o que realmente pode vir com o próximo título da From Software, responsável por gigantes como a série Souls e o aclamado Sekiro: Shadows Die Twice. Que a empresa sabe fazer ótimos jogos já é de conhecimento geral, mas o que será que acontece quando ela decide se juntar com um grande contador de histórias medievais como George R. R. Martin — considerar somente os livros da série As Crônicas de Gelo e Fogo para essa nomenclatura, de preferência — e apostar num roteiro aparentemente tão sombrio quanto o da série Souls?

Bem, vamos ao que interessa: uma análise detalhada do trailer de apresentação, este que você pode conferir ao fim do post.

O que esperar de Elden Ring segundo o trailer?

Elden ring
O que esperar de Elden Ring? (Imagem: Bandai Namco)

A primeira coisa que salta aos olhos — e, convenhamos, a primeira que aparece no vídeo — é este simpático cavalo, que está cheirando a mão de alguém caído. Considerando os jogos da From Software, é bem plausível que este seja o nosso protagonista, que normalmente começa o jogo em situações precárias, quase sem esperança, vide Dark Souls, em que você está preso no Undead Asylum, ou Sekiro, em que o protagonista de nome homônimo perde um braço logo no início.

Claro que a criatura tombada pode ser também um NPC morto, ou simplesmente não ser nada de importante, servindo apenas para introduzir a personagem feminina que aparece em seguida. A moça encapuzada, que mais parece uma versão remasterizada da Mãe Miranda de Resident Evil Village, no que lhe concerne, introduz uma coisa interessante em seu diálogo de abertura, que permite algumas suposições iniciais:

The tarnished will soon return. Guided by grace once lost.

Em tradução livre: O manchado logo retornará. Guiado pela graça outrora perdida.

A From Software é uma verdadeira mestra no que diz respeito à semiótica dos trailers e dos próprios jogos. A legenda, que normalmente acompanha as introduções dos seus títulos, não costuma ter distinção de caracteres maiúsculos ou minúsculos, o que já nos indica certa obscuridade no próprio trailer. De todo modo, devido a outras dicas que aparecem ao longo dos dois minutos do vídeo, é possível indicar que Tarnished, ou Manchado, em tradução livre, é o protagonista, dado que este tipo de epíteto é concedido às personagens da série Souls, como The Chosen Undead e The Ashen One, por exemplo.

Um contraponto, no entanto, é o de que o artigo definido the, em inglês, não indica, necessariamente, flexão de número, ao menos não sem contexto. Isso significa dizer que pode muito bem ser “o/a manchado(a)” quanto “os/as manchados(as)”, implicando num tipo de sociedade, seita ou mesmo status. A questão do status, por exemplo, é relevante ao lembrarmos que, em Dark Souls, há muitos Undead e mesmo vários Chosen Undead, de acordo com o diálogo com o Crestfallen Warrior que encontramos assim que chegamos à Firelink Shrine.

Diálogo do crestfallen warrior
Diálogo do Crestfallen Warrior em Dark Souls. Em tradução livre: “Deixe-me adivinhar. O destino dos Mortos-vivos, certo? Bom, você não é o primeiro.”. (Imagem: YouTube de cad5150)

No próprio trailer de Elden Ring, há algumas suposições a serem feitas de acordo com a fala de uma determinada personagem — um chefe, ao que tudo indica. Apesar do estilo bastante personalizado e da conversa, é possível que ele seja o primeiro ou, pelo menos, um dos primeiros que o jogador enfrentará. Isso considerando, claro, que a “árvore da vida”, sobre a qual falarei adiante, signifique o início da jornada, e não o fim. Agora, faz-se necessário observar um pouco mais a fundo a história de fato do jogo.

Fragmentos da história oficial

Com essas suposições iniciais feitas, podemos proceder ao site oficial do jogo. Nele, há descrições oficiais e pontos de interesse para quem busca mais informações sobre a história do título. Mesmo com esses dados, a mitologia do próprio jogo ainda é um tanto obscura, como era de se esperar da dupla Miyazaki e George Martin. De todo modo, a primeira coisa da qual podemos tirar proveito é o fato de que houve uma guerra no mundo de Elden Ring, chamada The Shattering, que, em tradução livre, pode significar A Quebra, A Fragmentação ou algo no mesmo estilo.

A ordem dourada em elden ring
A Ordem Dourada (Golden Order, no original) parece ter sido um grupo responsável por manter a ordem nas Terras Intermediárias. (Imagem: Bandai Namco)

Essa guerra foi responsável pelo abandono “dourado” da Vontade Maior (Greater Will, no original). Se essa vontade é algo fruto dos deuses, que estão presentes, como logo direi, ou então uma espécie de fé individual, não dá para saber. Agora, o mundo de Elden Ring, chamado de The Lands Between, ou, em tradução bastante livre, As Terras Intermediárias, é, como sugere o nome, governado por vários semi-deuses, filhos da rainha Marika, a Sempiterna (Marika, the Eternal, em inglês) que carregam fragmentos do Elden Ring, um anel de poder inimaginável.

O conceito de fragmentação parece bem forte no jogo, dado que há várias instâncias em que ele aparece, seja na terra dividida, no próprio anel ou na Vontade Maior. Os pedaços do anel, inclusive, são chamados Grandes Runas, o que aponta um pouco da influência da mitologia germânica no game, que também aparecerá na forma da grande árvore dourada que veremos logo adiante.

Temos a confirmação de que os Tarnished foram uma tribo ou clã que pertenceu a essas Terras Intermediárias, mas foram expurgados do mundo devido à guerra. Outro fator interessante é o de que, segundo a Bandai Namco, os Manchados devem cumprir a profecia de reconstruir o anel perdido e assumir o comando do reino. Te lembrou algo? Se não, eu ajudo: isso parece muito com a jornada de Aragorn, em O Senhor dos Anéis. Primeiramente visto como um Guardião do Norte, ou Ranger, fica claro, ao longo da narrativa do livro, que Aragorn é, na verdade, o rei prometido de Gondor, descendente de Isildur.

Aragorn em senhor dos anéis
Aragorn, o Rei Legítimo de Westero- espera, não… (Imagem: Reprodução)

Considerando que foi George Martin quem escreveu grande parte da mitologia do jogo, é bem provável que você morra ao chegar ao final da trama. Brincadeiras à parte, informações oficiais confirmam também personagens espalhadas pelo mundo de Elden Ring, principalmente nas cidades, que mais se parecem ruínas, do que foi o grande reino de outrora. Elas passam missões e podem te ajudar ou te prejudicar (maldito Patches). Outra característica, já conhecida dos fãs tardios da série Souls, são as várias armas e ataques especiais, refinados desde Dark Souls 2. O aspecto positivo aqui é que as magias parecem estar melhores, mas só o tempo dirá.

Enfrentando inimigos aleatórios no trailer de elden ring
Enfrentar inimigos em encontros aleatórios no meio do mapa parece realidade. (Imagem: Bandai Namco)

Um ponto interessante é que, segundo a Bandai, o jogador pode escolher vários caminhos de exploração num mundo semi-aberto. Difícil delimitar o que, exatamente, isso significa, mas talvez tenhamos mais liberdade de escolha do que em outros jogos da From Software, o que é uma inovação bem-vinda. Como na imagem acima, parece ser possível encontrar mercenários e outros tipos de soldados espalhados pelo mapa e enfrentá-los, seja diretamente ou num modo mais stealth. E, como afirma a narradora, você vai morrer bastante, por causa de alguma maldição, como sempre. Mas nada disso é novidade, convenhamos.

A árvore dourada

A primeira cena mais imponente, por assim dizer, apresenta ao espectador uma gigantesca árvore dourada. O que ela significa? Qual o objetivo de colocá-la? Onde ela se encontra? são apenas algumas das perguntas que atravessam a mente dos mais curiosos. Árvores do gênero não são incomuns na história da humanidade, seja na arte, na religião ou na literatura — o exemplo mais básico seria Yggdrasil, a árvore fundamental da mitologia nórdica/germânica, que representa, de forma bem breve, aquilo que se convém chamar existência. Para quem gosta de mangás, uma semelhante também está presente em Berserk, de Kentaro Miura, inspiração constante do Hidetaka Miyazaki. Vide:


Fonte

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