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Para dirigentes, aprovação do projeto do clube empresa pode ajudar a captar investidor

Dirigentes interessados na transformação de seus clubes em empresas esperam que a aprovação do projeto de lei, agora no aguardo da sanção presidencial, ajude-os na captação de recursos com investidores. Essa barreira, a qual muitos tentam transpor há pelo menos um ano, é o principal desafio da nova empreitada. Mas há outros, que vão do estabelecimento de diretrizes internas para garantir uma transição juridicamente segura até a conciliação com os interesses de credores.

Leia também:PL do Mandante é aprovado na Câmara

O presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues, foi um dos principais articuladores do texto aprovado em Brasília. Ele se prepara agora para a votação do Conselho Deliberativo que deverá constituir, no próximo dia 2, a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) da Raposa. O passo seguinte será mostrar esse projeto para potenciais parceiros pelo mundo.

— Vamos iniciar um road show. A gente já tem conversas feitas, mas o investidor quer segurança jurídica. Agora, ele vai ter — afirmou Rodrigues ao GLOBO.

Nessa mesma etapa está o Atlético Goianiense. Há um ano e meio o clube debate internamente a melhor estrutura e como se relacionar com futuros investidores.

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— É um desafio que todos os envolvidos nessas operações enfrentarão: mostrar que não apenas o jogador brasileiro é um grande investimento, mas que o clube também pode ser — argumenta o advogado Eduardo Carlezzo, cujo escritório foi contratado pelo Goianiense para auxiliar na transição.

Próximo passo

Atingir esse próximo objetivo não é tarefa fácil. O Botafogo, por exemplo, trabalha há mais de um ano nesse sentido, sem sucesso. E há divergências sobre qual saída de emergência oferece o caminho mais curto. O presidente do Cruzeiro aposta que agentes do mercado internacional podem ser parceiros mais convenientes, até em virtude da desvalorização do real. Já o economista César Grafietti acredita que, em um primeiro momento, será mais fácil contar com investidores locais, dispostos a transformar a paixão pelo clube em participação acionária.

Grafietti conta já ter colhido de muitos investidores estrangeiros o receio de entrar no mercado brasileiro e “ficar com fama de caloteiro”. Por isso, o economista indica que há problemas a serem resolvidos antes da transformação em empresa, como a negociação de dívidas e o corte de despesas:

— O investidor enxerga o Brasil com potencial, mas com risco. O modelo ideal é o que esse investidor não vem para pagar dívidas, mas para fomentar a indústria.

A relação com o endividamento, aliás, é um dos pontos controversos do projeto de lei avalizado pela Câmara. O texto indica que o partilhamento de ativos e passivos entre a associação sem fins lucrativos e o clube-empresa pode ocorrer sem consulta aos credores. Aponta ainda que 20% da receita das SAFs sejam destinados ao pagamento de débitos, o que gera um engessamento.

— Há clubes que poderiam pagar mais, outros não conseguirão pagar tudo isso. Deixar uma livre negociação entre as partes teria sido muito melhor e mais claro — aponta Grafietti.

O projeto cria as condições para a fundação das SAFs, mas não obriga a conversão. Flamengo e Grêmio, de contas equacionadas, e Fluminense, cuja recuperação financeira segue outro modelo, não abandonarão suas estruturas atuais.

— Isso talvez aconteça em uma segunda fase, com o modelo já testado — sinaliza Grafietti. — Neste primeiro momento, o grande incentivo é mesmo para os clubes em maior dificuldade.


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