Esportes

Patrícia Amorim pede mais proximidade entre clubes e escolas por novos talentos

A formação de atletas no Brasil, é sabido, está aquém das suas possibilidades quando se imagina todo o potencial olímpico que o país tem. Clubes pequenos andam às voltas com dificuldades de obtenção de recursos para desenvolver jovens promessas, ainda mais em tempos de pandemia de Covid-19. Porém, mesmo potências do esporte nacional não conseguem entregar tudo o que poderiam.

E ninguém melhor para explicar as dificuldades que pequenas e grandes instituições atravessam do que alguém como uma ex-atleta olímpica, pan-americana e também ex-presidente do Flamengo, como é o caso de Patrícia Amorim. Campeã brasileira e mundial, ela é uma das referências nacionais da natação entre os 80 e 90.

— É importante que os clubes estejam inseridos em uma política pública, porque o nosso modelo clubístico tem suas virtudes, mas tem as suas deficiências. Talvez seja importante otimizar a utilização da estrutura do clube, dos profissionais, tudo aquilo que já está construído. É importante fazer essa aproximação entre clubes e escolas — destaca.

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Patrícia salienta ainda as dificuldades que as entidades também enfrentam neste processo.

— Via de regra, os clubes também não têm uma condição adequada de fazer essa promoção e acabam optando pelas modalidades que dão algum retorno ou que minimamente consigam se manter. Isso impede o desenvolvimento de novas modalidades no país — lamenta.

Mesmo com as conquistas, a carreira de sucesso nas piscinas acabou cedo, aos 25 anos. No entanto, ela logo assumiu a equipe de esportes olímpicos do Flamengo. Em 2000, Patrícia decidiu buscar o apoio ao esporte por meio da política, sendo eleita para a câmara de vereadores do Rio naquele ano, com a candidatura pautada no incentivo ao esporte.

Amorim seguiria no cargo por três mandatos, sendo o último dividindo o tempo com a presidência do Flamengo, após vencer a eleição do clube em 2010. 

A iniciação nas águas

Patrícia Amorim começou na natação aos três anos de idade, ainda pelo Botafogo, onde ficaria até os oito, quando fez a troca pelo Flamengo. Nesse intervalo, com apenas cinco anos, ela completou a travessia de 1,8 mil metros entre o bairro do Flamengo e a Urca. Ali, começava a se consolidar o sonho de seguir a carreira como nadadora, desejo que foi alimentado pela prática na escola e pelo incentivo do Intercolegial.

O torneio, do qual ela participou das cinco primeiras edições, entre os anos de 82 e 86, viria a se transformar, para ela, em uma grande preparação para a carreira de sucesso como atleta, além de contribuir, também, na melhora da relação com os colegas.

— É uma competição diferente, porque não é de clubes. E, na época das primeiras edições, era uma novidade, mesmo as pessoas estranhando a princípio. Mas, quando chegava o período do Intercolegial, todo mundo dava força. Depois da minha primeira participação nos jogos, a minha relação com a escola ficou totalmente diferente, porque comecei a sentir o carinho da torcida, dos meus colegas — conta, relembrando a mudança na atitude dos outros alunos:

— Eu passei a ser a pessoa por quem eles torciam. E, quando você está na categoria de base, iniciando no esporte, você não costuma ter essa repercussão, essa visibilidade. E ver as reportagens com seu rosto no mural da escola era muito bacana, dá um grande incentivo.

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A ex-atleta ressalta que a escola tem um papel fundamental no apoio aos jovens na área esportiva. Por conta disso, para ela, é necessário dar mais atenção à disciplina de Educação Física, que sequer é obrigatória em algumas instituições. Com isso, a continuidade no processo de aprendizagem corre o risco de ser interrompida, o que representa uma das principais dificuldades para o desenvolvimento do esporte.

Segundo ela, o chamado “modelo americano”, no qual a escola oferece um variado suporte aos alunos, é um bom exemplo dessa relação entre aprendizado pedagógico e esportivo, que é fundamental no papel social e, quem sabe, para o nível profissional no futuro.

Do colégio para as piscinas

Aos 18 anos, Patrícia já estava participando da sua primeira grande competição como profissional, o Pan-Americano de Indianápolis, nos Estados Unidos, em 1987, onde conquistou um quarto lugar no revezamento 4×100 metros medley e nos 200 metros nado livre. No ano seguinte, uma marca expressiva: depois de três Olimpíadas sem a presença de nadadoras brasileiras, a equipe feminina do revezamento 4×100 metros livre, da qual Patrícia fazia parte, quebrou o jejum e conquistou a vaga para os Jogos Olímpicos de Seul.

Algum tempo depois, ela também se tornou a primeira nadadora brasileira a conseguir um patrocínio individual. Entre as marcas alcançadas na carreira como atleta profissional também se destacam: um Campeonato Mundial em 1986, em Madri, na Espanha; um Mundial Universitário em 1987, em Zagreb, na Croácia (nos 200, 400 e 800 metros nado livre); o prêmio de Melhor Atleta de Natação, conferido pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB); e a quebra de uma série de recordes brasileiros e sul-americanos.


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