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Por que 29 a 0 do São Paulo deveria ser um pedido de socorro e não motivo de remoque para futebol feminino

“A gente usa a camisa do CATS mas em pouca coisa o clube nos ajuda”. Esse foi o desabafo da volante Nini, do Taboão da Serra, em seguida seu time suportar 29 gols na guião para o São Paulo pela segunda rodada do Campeonato Paulista de Futebol Feminino, na última quarta-feira. A goleada na Redondel Barueri se tornou a maior da história do Tricolor, mas não há motivos para comemoração. Um placar extremamente elástico porquê esse não deveria intercorrer quando falamos de esporte de cumeeira nível, e revela o descaso de entidades para com a modalidade.

A camisa 5 Nini precisou atuar improvisada porquê zagueira ontem, pois o time não tinha peças de reposição. Elenco não é o único problema do Taboão: falta também salário, meio, uniformes e, principalmente, suporte.

A equipe do CATS foi montada às pressas para disputar o estadual, e tiveram unicamente três dias de preparação antes do início da competição. É preciso sobresair o valor da equipe do São Paulo, que montou um dos times mais competitivos do país, mas esse resultado só foi provável porque a disparidade de condições é enorme. O profundeza é ainda maior do que aquele que já estamos acostumados no futebol masculino.

Nas redes sociais, o placar inusitado virou motivo de remoque, com são-paulinos que nunca apoiaram o futebol feminino, se vangloriando dos 29 gols. Mas a modalidade não pode ser resumido a goleadas desproporcionais. O caso repetiu o que aconteceu no ano pretérito durante a Despensa do Mundo da França, quando as atuais campeãs da seleção americana aplicaram 13 a 0 sobre a Tailândia, no que se tornou a maior goleada da história dos Mundiais.

Apesar do aumento da visibilidade, na prática, as coisas não evoluíram tanto no futebol feminino, e a partida de ontem indica para um retrocesso no Campeonato Paulista. Na temporada 2019, a maior goleada foi aplicada pelo Santos, que venceu duas vezes pelo placar de 8 a 1, sobre Portuguesa e Juventus.

Já no Campeonato Carioca do ano pretérito, outro contraditório: o Flamengo/Marinha venceu o Greminho por 56 a 0. A verdade é que as jogadoras do Taboão, assim porquê as da Tailândia  e do Greminho, são vítimas do descaso e amadorismo de dirigentes.

Mesmo perdendo de 17 a 0 já no primeiro tempo, as atletas do Taboão voltaram do pausa tentando não provar desânimo. Enfim, a única saída é continuar jogando. Apesar de desnivelado, o Campeonato Paulista é atualmente a maior vitrine para jovens talentos do futebol feminino.

A Federação Paulista tem sua parcela de culpa, por não prometer que os clubes oferecessem alguma coisa além do escudo na camisa para poderem competir no Paulistão. Além de fomentar a modalidade, a entidade também precisa cobrar que cada time cuide minimamente de suas atletas.

Em nota solene, o CATS demonstrou suporte ao desabafo de Nini, e pediu ajuda e patrocínio de empresários e comerciantes locais. Nesta quinta-feira, o clube iniciou uma “vaquinha online” com meta de arrecadação de R$ 20 milénio para ajudar o time feminino.

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