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Raio-X da NBA: astros e franquias tradicionais correm risco de perder playoffs

Do fim de dezembro até agora, foram pouco mais de quatro meses de disputas. Uma maratona que enfim se aproxima do sprint final. A temporada regular da NBA entra em sua última semana com muitos dos tradicionais favoritos lutando para não ficarem fora da festa justamente em seu momento decisivo.

Estrelas como LeBron James, Anthony Davis, Stephen Curry e Jimmy Butler veem suas vagas nos playoffs ameaçadas em uma temporada com a novidade do play-in, o “mata-mata antes do mata-mata”.

 

Finalistas na última temporada, encerrada na “bolha” da Flórida, Los Angeles Lakers e Miami Heat surpreendem negativamente. Os dois estão brigando por uma vaga nos playoffs, mas com sério risco de irem para o play-in.

Confira como está a disputa por playoffs e play-in da NBA Foto: Editoria de Arte
Confira como está a disputa por playoffs e play-in da NBA Foto: Editoria de Arte

 

O play-in definirá os quatro últimos classificados aos playoffs — dois em cada conferência. No novo formato, testado na “bolha” e adotado definitivamente nesta temporada, os clubes entre o 7º e o 10º lugar se enfrentarão em confrontos únicos eliminatórios. O sétimo colocado pega o oitavo em duelo valendo a primeira vaga, e o perdedor da partida enfrenta o vencedor do confronto entre 9º e 10º, valendo a segunda vaga.

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O torneio play-in acontece entre os dias 18 e 21, enquanto os playoffs vão de 22 a 6 de julho. As finais da temporada estão marcadas para começar dois dias depois.  Enquanto a disputa esquenta, O GLOBO preparou um guia sobre as equipes classificadas e as disputas por playoffs e play-in.

Quem já está classificado

• Oeste

Phoenix Suns

O Phoenix Suns já fez história na atual temporada da NBA, mesmo antes dos playoffs. A franquia, que já havia surpreendido na reta final da temporada passada com uma inesperada sequência de vitórias, não frequentava a etapa mata-mata da liga desde 2010. Comandados pelo veteraníssimo armador Chris Paul e pelos jovens Devin Booker (armador) e Deandre Ayton (pivô), os Suns chegam como um dos grandes favoritos às finais da conferência. Booker é o cestinha do time com médias de 25,7 pontos por jogo. Vale destacar também a temporada de Chris Paul, terceiro melhor passador da liga, com média de 8,8 assistências por jogo. Pilar defensivo, Deandre Ayton acumula 10,6 rebotes e 1,2 tocos em média por jogo.

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Utah Jazz

Costumaz frequentador de playoffs — mas nada muito além disso —, a equipe de Salt Lake City faz a melhor campanha geral da liga, tão histórica quanto a do Suns. Os principais personagens são dois: o armador e estrela Donovan Mitchell — atualmente lesionado —, que acumula média de 26,4 pontos por partida (e 19 partidas com pelo menos 30 pontos) e seu companheiro de armação Jordan Clarkson. Aos 28 anos, o então reserva Clarkson, que nunca esteve entre os grandes nomes da liga, se encontrou e faz grande temporada, credenciando-se como principal candidato ao prêmio de melhor sexto homem, em performances que incluíram uma partida de incríveis 40 pontos. Numa nova tentativa de ir longe nos playoffs, contam a favor da franquia a coletividade e a eficiência, além de nomes como Rudy Gobert, Joe Ingles, Bojan Bogdanovic e Mike Conley no elenco.

Jordan Clarkson, surpresa do Utah Jazz na temporada regular Foto: Jeffrey Swinger / USA TODAY Sports
Jordan Clarkson, surpresa do Utah Jazz na temporada regular Foto: Jeffrey Swinger / USA TODAY Sports

 

Los Angeles Clippers

Após a traumática eliminação, de virada, na última semifinal de conferência para o Denver Nuggets, os Clippers encerraram a passagem de Doc Rivers e apostaram em Tyronn Lue, ex-Lakers. Ainda que passe longe das expectativas criadas quando montado, o super time de Kawhi Leonard (25 pontos por jogo) e Paul George (23,6) sofreu poucas alterações no elenco e construiu, discretamente, uma campanha sólida para retornar aos playoffs. O pivô Serge Ibaka foi o principal reforço, e os experientes Rajon Rondo e DeMarcus Cousins chegaram posteriormente para ajudar em uma temporada marcada por lesões e dificuldades de repetir os titulares.

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Denver Nuggets

Os Nuggets vêm brigar novamente pelo título da conferência. Com elenco montado mirando os melhores times da liga, a equipe não vai contar com o armador Jamal Murray, que rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo. Mesmo com a perda de um de seus melhores jogadores, a franquia passa longe de estar fora da corrida competitiva. Atualmente, os destaques do time são o pivô Nikola Jokic, o “Joker”, e o ala Michael Porter Jr. Favorito ao prêmio de MVP, Jokic domina quase todas as estatísticas do time. Tem médias de 26,4 pontos, 10,9 rebotes, 8,4 assistências e 1,4 roubos de bola por jogo. O único fundamento que o pivô não lidera no time é justamente o monopolizado por Porter Jr., os tocos: o ala tem média de um por jogo.

 

• Leste

Philadelphia 76ers

Com sua vaga garantida após grande temporada, o Philadelphia Sixers luta para se manter na primeira colocação do Leste e conseguir o mando de quadra na fase final. Seguem como destaques o pivô Joel Embiid e o armador Ben Simmons, as estrelas da franquia. Liderando quase todas as principais estatísticas do time, com médias de 29,1 pontos, 10,8 rebotes e 1,4 tocos por jogo, Embiid vem se tornando um dos jogadores mais dominantes da liga e briga pelo prêmio de MVP da temporada. Já Ben Simmons aparece como a peça mais importante defensivamente. Possui média de 6,8 assistências e 1,6 roubos por jogo, além de ser o quinto melhor em roubos de bola da liga. Está na briga pelo prêmio de melhor defensor.

Brooklyn Nets

É difícil não pensar na franquia nova iorquina como uma das sensações da liga. Três dos melhores jogadores da liga se juntaram no Barclays Center: o ala Kevin Durant, o ala-armador James Harden e o armador Kyrie Irving são comandados por Steve Nash em uma temporada de aposta alta. Posteriormente, ganharam a companhia do ala-pivô Blake Griffin, outro all-star, que vem revivendo, à medida que seu físico permite, as melhores características da carreira. As médias de pontos do trio falam por si só: 28 pontos para Durant, 27,4 para Irving e 25,4 — incluindo incríveis 11 assistências e 8,7 rebotes — para Harden. Os desafios da equipe na briga pelo título são manter a parte física de seus atletas em dia e melhorar os números defensivos.

Durant e Griffin se cumprimentam em vitória dos Nets sobre o Suns Foto: Sarah Stier / AFP
Durant e Griffin se cumprimentam em vitória dos Nets sobre o Suns Foto: Sarah Stier / AFP

 

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Milwaukee Bucks

Após eliminação na semifinal da conferência na última temporada, a franquia de Wisconsin reservou seu futuro à construção de uma equipe ao redor da estrela e atual MVP Giannis Antetokounmpo, que assinou o maior contrato da história da liga em dezembro. Dona de um eficiente sistema de troca de passes e maior força ofensiva do Leste, com média de 119,6 pontos por partida, a equipe de Mike Budenholzer foi discreta no mercado, e o armador Jrue Holiday foi a principal chegada. Bem nos dois lados da quadra, Holiday (17,6 pontos por partida) divide o destaque secundário da equipe com o também armador Khris Middleton (20,4). Sem muito mistério, o líder das estatísticas é Giannis, que segue mostrando que ainda não chegou ao ápice de seu jogo: são 28,4 pontos, 11,1 rebotes e 5,9 assistências por partida.

 

Playoffs: finalistas na briga

No Oeste, restam duas vagas de classificação aos playoffs. Lakers, Dallas Mavericks e Portland Trail Blazers estão na disputa. Com os  retornos tardios de Anthony Davies e Lebron James, lesionados em grande parte da temporada, a franquia de Los Angeles segue com boas chances de se classificar, mas precisa vencer a briga com o Portland Trail Blazers. Quem está mais perto de se classificar são os Mavs do astro Luka Doncic, com tabelas menos complicada que a de seus rivais.

— Não vemos como algo ruim. Precisamos de jogos para nos entrosarmos. Não queremos ir por esse caminho, mas se acontecer, aconteceu — diz Anthony Davis, sobre uma possível ida ao play-in.

A franquia de Portland bateu os Lakers nesta sexta-feira e assumiu a última posição na zona de classificação, mas a situação não é confortável. O time liderado por Damian Lillard, um dos principais armadores e arremessadores da liga, terá jogos muito difíceis contra times do topo da tabela nos últimos dias da temporada regular: enfrenta Jazz, Suns e Nuggets em sequência nas últimas três partidas.

— O Oeste é tão bom que a classificação pode mudar em apenas algumas rodadas. Você tem que estar focado no que pode fazer — define Quin Snyder, técnico do Utah Jazz

Matematicamente, ainda há uma esperança para os torcedores do Golden StateWarriors, mas o cenário é muito improvável. Para escapar do play-in, a equipe do atual cestinha da liga e candidato ao MVP Stephen Curry precisa ganhar os jogos restantes e contar com sucessivos tropeços de seus adversários.

 

No Leste, a disputa por vaga e mando de quadra (dado às equipes de melhor campanha) segue acirrada. New York Knicks, Atlanta Hawks, Miami Heat e Boston Celtics disputam as três vagas restantes para que não precisem jogar o play-in. Com campanhas muito similares e tropeços nessa reta final,  Hawks e Knicks têm boas vantagens. A milionária franquia de Nova York, vista como patinho feio em no início da temporada, se reinventou sob o comando de Tom Thibodeau. Liderada pelo ala-pivô Julius Randle, faz uma das melhores campanhas da franquia nos últimos anos. Os Hawks, do jovem astro Trae Young, se reforçaram bem no início da temporada e têm grandes chances de avançar, mas sua tabela é mais complicada que as dos rivais.

— Randle é uma versão melhorada de Zion Williamson. Nos playoffs, ele será como o greek freak (Giannis Antetokounmpo, dos Bucks). Terão que montar uma parede (de defensores) — aposta o ex-jogador dos Knicks Charles Oakley.

Julius Randle, principal jogador dos Knicks Foto: MATTHEW STOCKMAN / AFP
Julius Randle, principal jogador dos Knicks Foto: MATTHEW STOCKMAN / AFP

 

Atual campeão da conferência, o Miami Heat possui uma das melhores defesas do campeonato, com o pivô Bam Adebayo e o armador Jimmy Butler entre os principais candidatos a melhor defensor da liga, mas isso não foi o suficiente para garantir a vaga. O provável confronto particular do Heat pela última vaga será contra o Boston Celtics, de Jayson Tatum, Jaylen Brown e Kemba Walker. As equipes se enfrentam duas vezes nessa reta final, um confronto direto que pode ser definidor para a disputa. A franquia de Boston tenta evitar a ida ao play-in, sob o risco de ficar de fora dos playoffs pela segunda vez nas últimas 13 temporadas.

— Temos outro nível para alcançar. Precisamos chegar lá antes que a temporada vá para o brejo — avalia Adebayo.

Play-in tem Oeste acirrado e Leste quase resolvido

Se algumas franquias tentam evitar ao máximo o play-in, outras apostam todas suas forças para chegar lá. No Oeste, onde inevitavelmente duas equipes que brigam por playoffs serão relegadas ao torneio de repescagem, o Memphis Grizzlies aparece como principal candidato a ficar com uma das vagas restantes. A equipe do talentoso armador Ja Morant tem tabela recheada de confrontos diretos, incluindo um encontro com o New Orleans Pelicans, que perdeu a jovem estrela Zion Williamson na reta final com uma fratura em um dos dedos da mão esquerda. Zion vinha em grande temporada, com média de 27 pontos e 7,2 rebotes por partida.

A equipe de Nova Orleans, que também conta com o armador Lonzo Ball e recentemente assinou com o brasileiro Didi Louzada, tenta a estragar a festa dos Grizzlies ou do San Antonio Spurs. Os texanos, fora do playoffs na temporada passada pela primeira vez desde 1998, tentam beliscar uma vaga indireta enquanto remontam sua jovem equipe, comandanda pelo técnico Gregg Popovich e pelo veterano DeMar DeRozan. O Sacramento Kings corre por fora.

 

Pelicans de Zion Williamson ainda podem ir ao play-in Foto: Rob Carr / AFP
Pelicans de Zion Williamson ainda podem ir ao play-in Foto: Rob Carr / AFP

 

No Leste, a briga é mais amena. Enquanto uma das vagas no torneio tem alta probabilidade de sobrar nas mãos de uma das tradicionais equipes postulantes aos playoffs, O Charlotte Hornets tem vaga praticamente garantida, em boa campanha que não surpreende. A franquia é casa do talento LaMelo Ball, segunda escolha do draft, e foi bem no mercado ao trazer o experiente Gordon Hayward.

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Com campanhas muito parecidas, o Indiana Pacers de Domantas Sabonis e o Washington Wizards tentam se isolar nas últimas posições de classificação ao torneio. A equipe de Indianápolis tem uma tabela um pouco mais complicada que a franquia da capital norte-americana.

Os Wizards, do versátil Russell Westbrook e de Bradley Beal, vice-cestinha da liga, atrás apenas de Curry, contam também com o talento brasileiro. O armador Raulzinho vem crescendo de desempenho, virou titular e bateu seu recorde pessoal ao marcar 25 pontos diante do Toronto Raptors na última quinta-feira. Em sua sexta temporada na NBA, Raulzinho tem sua melhor média de pontos (8,7) e rebotes (2,4), além de participar mais dos jogos, com média de 21,6 minutos em quadra.

Um dos principais adversários pelas vagas finais ao play-in são os próprios Raptors de Pascal Siakam e Kyle Lowry, campeões de 2019 que vivem um momento de transição na liga, e dificilmente arrancarão a classificação. O mesmo vale para o reforçado Chicago Bulls, casa de Zach Lavine e Nikola Vucevic, que segue mais vivo que os canadenses, mas com poucas probabilidades de alcançar os rivais.

Oklahoma City Thunder, Minnesotta Timberwolves e Houston Rockets estão eliminados no Oeste. No Leste, o Cleveland Cavaliers de Anderson Varejão, o Orlando Magic e o Detroit Pistons também estão fora de qualquer disputa.


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