Culinária

Restaurante vende garrafa de R$ 11 milénio, serve vinho da morada e cliente nem percebe – Cozinha Bruta

Deu na revista inglesa “Decanter”, uma das publicações mais sérias sobre vinhos no mundo: em Novidade York, os garçons de um restaurante serviram por ilusão o vinho da morada, de R$ 100, a um grupo que havia pedido uma garrafa de R$ 11,2 milénio.

Foi no Balthazar, bistrô do SoHo que atrai tanto turistas durangos quanto gente com numerário.

Duas mesas chegaram mais ou menos ao mesmo tempo. Numa delas, um parelha jovem que pediu o vinho mais barato de todos; na outra, foi comandada uma garrafa de Château Mouton-Rotschild 1989, o item mais dispendioso do restaurante. Os clientes eram gente de Wall Street.

Os garçons puseram os dois vinhos em decanters (garrafas sem identificação) idênticos. Serviram o vinho barato para os caras do mercado financeiro, e o outro para o casalzinho que só queria consumir e dar risada.

Segundo foi relatado à “Decanter”, nenhuma das mesas percebeu a troca. Um dos sujeitos que pediram o vinho dispendioso teria chegado a elogiar a “pureza” do vinho de século contos. Foi a própria equipe do Balthazar quem detectou a mancada –e deixou os vinhos de perdão para todo mundo.

O Château Mouton-Rotschild, de Bordeaux (mais especificamente, da sub-região de Pauillac), é um vinho de colecionador. Custa mais do que vale, pois existe gente rica e besta em número suficiente para gerar uma demanda inflacionária. No Brasil, não encontrei à venda nenhum réplica da safra 1989; colheitas mais recentes, em importadoras, saem por preço semelhante ao do restaurante de Novidade York. Brasil, né?

Por mais que haja entendedores que põem até o nariz no seguro, ninguém é capaz de reconhecer um vinho assim exclusivamente por olfato e paladar. Por isso, o mercado de garrafas colecionáveis é terreno fértil para falsificadores. Essa história é muito muito contada no documentário “Sour Grapes”.

Os falsários nadam de braçada –uma vez que sói sobrevir– graças à empáfia de suas vítimas.

Quem gasta dezenas de milhares de dinheiros numa garrafa que vai resistir uma hora, se tanto, não pode sequer cogitar ter derribado no narrativa do vigário. É uma questão de imagem pública.

A sugestão trabalha para o cérebro autenticar qualquer porcaria envolta em pompa e numa despesa colossal.

Ou por outra, muitos dos que compram vinhos por status não entendem grande coisa de vinho.

Mas também acontece com que entende de vinho. Por isso, provas às cegas –sem que os degustadores saibam o que estão tomando– são sempre uma delícia para quem observa de fora.

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