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Superliga de vôlei começa neste sábado com arenas vazias e sem manifestações políticas

Sem aperto de mãos entre os atletas, sem público, menos estrangeiros e com proibição às manifestações políticas. A Superliga de vôlei começa neste sábado com a promessa de que as torcidas só voltarão às arquibancadas quando todos os clubes puderam contar com este benefício, seguindo planejamento de contenção do novo coronavírus de cada Estado.

Os protocolos sanitários foram criados em comum acordo entre a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e os clubes. Inclui a realização de testes pelos clubes a cada 15 dias. Árbitros terão de apresentar atestados de acordo com as suas escalas.

Em caso de exames positivos, os atletas ficarão em quarentena por um período de 10 dias.

A entidade fechou parceria com um laboratório para baratear o custo dos exames e também abriu a possibilidade dos clubes negociarem publicidade em lugares da quadra, como na cadeira do árbitro, poste e rede.

Entre outros pontos, a equipe que apresentar quatro ou mais atletas ou dois levantadores com exames positivos poderá solicitar o adiamento da partida. Itapetininga, por exemplo, ficou fora do Troféu Super Vôlei (entre as oito melhores equipes da última edição da Superliga, em outubro, em esquema bolha, na Arena Minas) porque oito atletas estavam infectados.

Superliga de vôlei começa neste sábado com arenas vazias e sem manifestações políticas
Amanda, no ataque pelo Flamengo: time foi campeão carioca em partida contra o Fluminense Foto: Paula Reis/Divulgação Flamengo

— A recomendação é que o time visitante fique o menos tempo possível nos vestiários e que chegue pouco antes de entrar em quadra. Claro que problemas poderão acontecer e serão corrigidos a medida que forem surgindo. Queremos, desta vez, chegar até o final e ter um campeão — declarou Renato ‘Ávila, superintendente da Superliga, referindo-se ao fato de que a temporada passada teve de ser interrompida.

Também foi definido que, neste primeiro momento, não será permitida a presença de público nos ginásios. O assunto voltará a ser abordado durante a competição sempre respeitando as determinações dos órgãos de saúde estaduais. A torcida só será admitida quando todos os clubes puderem contar com o benefício.

A ex-líbero Fabi, comentarista da Superliga para o Sportv, acredita que a ausência de torcida pode amenizar os ânimos nos grandes confrontos.

—  Temos um tom de superação nesta temporada, já que algumas equipes tiveram dificuldade para montar os seus elencos. Também por causa da pandemia, os atletas jogarão sem público, o que é estranho. Em confrontos que envolvem grandes rivalidades pode haver um clima mais ameno. Além disso, esta Superliga antecede uma edição dos Jogos Olímpicos e por isso se tona mais importante.

Ela também chamou a atenção para o fato de que uma nova geração já começa a dar as caras e que o próprio técnico da seleção feminina, José Roberto Guimarães, tem um grupo jovem no Bauru.

Na quadra, os jogadores e os técnico podem optar por usar máscara ou não (Lucão, por exemplo, jogou o Paulista com máscara). Mas, o banco, incluindo atletas e comissão técnica, precisarão usar o acessório. Primeiro e segundo árbitros não usarão máscaras mas toda a equipe de quadra, sim. Enxugadores e boleiros, em numero reduzido, inclusive. Além disso, os atletas não podem se cumprimentar mais antes e depois das partidas.

Em ambos os naipes os duelos de quartas de final, semifinais e finais serão todos disputados em série melhor de três. As finais da competição feminina estão programadas para os dias 9, 13 e 16 de abril. No masculino, a série decisiva será em 10, 17 e 21, também de abril.

Crise econômica

A CBV teve dificuldade para fechar os 24 times em ambos os naipes: aprovou documentações de clubes com dívidas trabalhistas e convidou times da segunda divisão.

Em junho, os atletas chegaram a criar uma campanha na internet, com adesão maciça, uma vez que a temporada passada foi marcada por problemas financeiros, principalmente no masculino.

Osasco, atual campeão paulista, tem elenco forte e é um dos favoritos. Foto: @thaynapolin / Divulgação
Osasco, atual campeão paulista, tem elenco forte e é um dos favoritos. Foto: @thaynapolin / Divulgação

Ao menos, Taubaté, Caramuru, Curitiba, América-MG e Maringá ficaram sem pagar ou atrasaram salários (o Maringá foi extinto). Para enfrentar a crise econômica, clubes como Pinheiros, Sesc-RJ e Minas Tênis Clube reduziram o salário de suas atletas durante algum período da pandemia, com a promessa de quitação a longo prazo.

— O fair play financeiro foi respeitado mas não sei se os clubes estão quitados com os atletas. Não fiscalizamos se os acordos firmados entre eles foram cumpridos. O que exigimos é que os clubes apresentem os termos de quitação, assinados pelos atletas. Cabe a eles entrarem na Justiça para fazer com que recebam pelo acordo, se esse for o caso — disse D’Ávila, que esclarece que a entidade recebeu os documentos assinados pelos atletas das equipes participantes.

Menos estrangeiros

A crise financeira também fez com que estrelas do esporte optassem por atuar no exterior, além da queda no número de estrangeiros. Segundo levantamento da CBV, na temporada 2019/2020, 34 estrangeiros, sendo 27, atuaram na Superliga. Para a temporada em vigor, serão 20, sendo 16 para jogar na Superliga.

Em relação aos brasileiros, nesta atual temporada 284 pediram transferência (no ano passado, 408).

O argentino Weber, técnico do Taubaté: número de estrangeiros diminuiu nesta temporada da Superliga Foto: Renato Antunes/MaxxSpor
O argentino Weber, técnico do Taubaté: número de estrangeiros diminuiu nesta temporada da Superliga Foto: Renato Antunes/MaxxSpor

Entre os destaques que saíram do país estão Gabi, ex-Minas, que fechou com o VakifBank (Turquia), Éder, ex-Sesi, joga no Berlin Recycling Volleys. Sheilla, ex-Minas, certou com a nova liga americana Athletes Unlimited Volleyball League. Lucarelli, ex-Taubaté, foi para o Trentino (Itália). Lucas Lóh, ex-Sesi, é reforço do Cerrad Enea Czarni Radom (Polônia). Wallace, ex-Sesc, fechou com o Spor Toto, da Turquia, país cujo time Gençlik Kale Spor Akademi Kulubu contratou Thais Souza, Paula Borgo (ambas ex-Fluminense) e Ellen Braga (ex-Osasco).

Sobre as manifestações políticas, D’Ávila é taxativo e diz que as regras não mudaram. Ou seja, elas não serão permitidas:

—  Nunca pode. É o ambiente onde se deve se concentrar na competição. Cada coisa tem o seu lugar. Ninguém, está cerceando o direito de ninguém de se expressar. O que nos preocupa é a mistura de ambientes. Se for praça de defesa política ou de outros temas, o esporte fica em segundo plano. E se ocorrer tomaremos providências — garante o superintendente.

Rodada inaugural

A temporada 2020/2021 da Superliga feminina terá 12 times: Praia Clube, Sesi Bauru, Curitiba, Fluminense, Minas, Osasco, Pinheiros, Sesc Flamengo, Barueri, São Caetano, São José dos Pinhais e Brasília.

No masculino, serão: Taubaté, Blumenau, Minas, Itapetininga, Montes Claros, Caramuru, Sada Cruzeiro, Sesi-SP, Uberlândia, Ribeirão, Vôlei Renata e Guarulhos.

Neste sábado, os jogos são do masculino:

Itapetininga x Blumenau (17h*)

Ribeirão x Minas Tênis Clube (19h*)

Sesi SP x Caramuru (21h30*).

A rodada inicial do feminino será no dia 9:

Curitiba x Osasco (19h*)

Pinheiros x Sesi Bauru (21h30, com Sportv).

*Com transmissão pelo PPV do vôlei, o Canal Viva Vôlei, na TVNSport (a assinatura custa R$ 89,90, para toda a temporada).

 

Fonte

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