Automobilismo

Um refresco no templo da velocidade

Helio Castroneves vence a Indy500 de 2021

Por: Bruno Aleixo – Tetracampeão da maior competição de carros de corrida do planeta. Por quatro vezes, Hélio Castroneves passou pela brickyard em primeiro lugar, recebendo a bandeira quadriculada na frente dos outros 33 malucos que se esfolam entre os muros de Indianápolis. O feito, conquistado no último fim de semana, coloca o brasileiro junto de A.J. Foyt, Al Unser Sr. e Rick Mears como os maiores vencedores das 500 milhas em toda a sua história. E coloca Hélio Castroneves entre os principais pilotos da rica história do automobilismo brasileiro.

Como jornalistas, a gente se cansa de falar que não torcemos para piloto nenhum. Nos últimos anos, a escassez de vitórias brasileiras em categorias principais talvez tenha tornado essa imparcialidade mais simples de ser cumprida. Mas confesso que, no último domingo, ao ver o brasileiro receber a bandeira quadriculada ao som do tema da Indy, com a narração monstruosa de Geferson Kern na TV Cultura, me emocionei como há algum tempo não acontecia.

Helinho venceu de uma forma que somente alguém que conhece cada centímetro daquele asfalto venceria. Soube dosar o acelerador com maestria para despejar toda a potência no final, dando um bote certeiro em Alex Palou e se aproveitando do vácuo dos retardatários para não levar o troco em seguida. Uma corrida de cabeça, milimétrica, calculista, como tem que ser em Indianápolis. Como dissemos ao final da última edição do Loucos por Automobilismo, em um recado direto para os impacientes jovens do Twitter, as 500 milhas devem ser degustadas como um bom vinho, guardando o melhor para o final. E a receita estava lá, no último domingo.

Para todo mundo que curte ou trabalha com automobilismo, um resultado como este, em uma prova como esta, é um incentivo importante. O esporte precisa se renovar, precisa voltar a encantar novos torcedores. Precisa gerar em quem é jovem a vontade de disputar corridas, nem que seja em campeonatos de kart amador por aí.

Depois de tempos de glória, o automobilismo brasileiro virou pé de página nos principais veículos de informação, e o círculo vicioso não o deixa voltar ao protagonismo. A vitória de Hélio Castroneves, remanescente da geração ouro (o cara estreou na Indy em 1998!) pode ser o refresco que precisávamos.

Ou posso estar empolgado à toa. Sei lá. Mas o fato é que, como eu escrevi no meu Twitter, logo após a corrida, gostar de automobilismo é bom demais. Se você conhece alguém que, por algum motivo, deixou de gostar, mostre o vídeo da vitória pra ele. Essa gente tem que voltar pro nosso lado.

Bruno Aleixo
São Paulo – SP
Leia e comente outras colunas do Bruno Aleixo

ATENÇÃO: Comentários com textos ininteligíveis ou que faltem com respeito ao usuário não serão aprovados pelo moderador.




Fonte

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo

Notamos que você usa um Adblock ativo!

A publicidade é uma fonte importante de financiamento do nosso site. Por favor, deslique seu Adblock para que possamos gerar receitas através dos anúncios. Não vai sair do seu bolso. ;)