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Vasco ignorou decisão do STJ, não interrompeu votação e apurou os votos; entenda a crise no pleito

Realizada no último sábado, a eleição para definir o novo presidente do Vasco acabou suspensa por decisão judicial após quase dez horas de votação. A notificação oficial que chegou ao ginásio de São Januário durante a reta final do pleito não impediu, no entanto, que a votação continuasse e os votos fossem contados, registrando maioria para Luiz Roberto Leven Siano, da chapa “Somamos”. Agora, o clube vive semana decisiva para a definição dos seus rumos eleitorais, que promete agitar o Judiciário.

Eleição às pressas na noite de sábado

Inicialmente, por força de liminar, a eleição havia sido adiada do dia 7 para o dia 14, e ocorreria de forma online — após longa indefinição sobre data e formato. Mas acabou realizada no último sábado, graças a um agravo de instrumento obtido na Justiça por Leven Siano na noite da última sexta-feira. O pleito foi realizado às pressas, de forma presencial.

Em meio a muita tensão, a votação transcorreu até o início da noite, quando, por volta de 19h30, uma nova decisão judicial mudou o cenário. Após pedido de Faues Mussa, presidente da Assembleia Geral e maior autoridade do processo eleitoral do clube, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu tutela provisória invalidando a decisão de sexta-feira e, por consequência, suspendendo a realização do pleito.

Descumprimento de decisão

A situação ganhou contornos complicados por conta de decisões da mesa diretora da Assembleia Geral após a chegada da notificação oficial do STJ ao ginásio de São Januário. Assim que teve conhecimento do documento, Mussa declarou as eleições suspensas e deixou o local.

Tudo indicava que a votação seria encerrada e a chapa “Sempre Vasco”, de Julio Brant, retirou suas cédulas e deixou o pleito. A mesa diretora, porém, entendeu que a decisão anularia apenas o agravo de instrumento, e não a votação. O pleito seria retomado, e as chapas “Mais Vasco” de Jorge Salgado, e “No Rumo Certo”, de Alexandre Campello, também se retiraram.

Contagem de votos durante a madrugada

Sob protestos do Departamento Jurídico do clube, que alertava para o descumprimento da decisão judicial, a votação foi reiniciada, decisão apoiada apenas pelas chapas “Somamos” e “Aqui é Vasco”, de Sérgio Frias. Pouco depois, a luz do ginásio de São Januário foi apagada e a votação foi encerrada.

Por fim, em nova decisão controversa, a mesa diretora optou por contar os votos (já com luz), sob a alegação de que não haveria local para armazenar as urnas. O processo foi iniciado às 2h de domingo, e terminou com Leven Siano na primeira colocação, com 1.115 votos, contra 921 de Jorge Salgado, 862 de Julio Brant, 336 de Alexandre Campello e 153 de Sérgio Frias. A votação ainda teve 15 votos em branco e quatro nulos.

Como fica a eleição do clube

Apesar da comemoração da chapa “Somamos” na noite de sábado, por enquanto vale a decisão que garantia a eleição no dia 14, ou seja, ainda não há presidente definido no Vasco. Isso pode mudar ao longo da semana, em caso de questionamentos judiciais das chapas participantes.

Por obrigação de estatuto, a eleição vascaína deve ocorrer até o fim da primeira quinzena de novembro, portanto, é altamente improvável que o processo eleitoral se estenda para além do próximo fim de semana. O formato da eleição — online ou presencial — deve ser outro alvo das discussões entre Mussa e os candidatos ao longo da semana.

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